foto: reprodução internet

Dias de chuva têm disso; são chamados de dias ruins. Dias tristes, preguiçosos, melancólicos. Dias a serem ignorados, com aquela vontade de trancar-se em casa e sair apenas quando o sol despontar.
Foi num dias desses, que a gente apelida de ruim assim que abre o olho e não dá de cara com uma nesga de sol espionando o quarto, que conheci a EEEM Erni Oscar Fauth, em Brochier, por ocasião da sua IV Mostra Literária. Uma manhã agradável, com pessoas animadas, entusiastas das artes, como o aluno artista que fez a abertura da Mostra, o Cleiton Marques.
O Cleiton viu sua paixão pela música se solidificar em aulas ofertadas pelo município. Segundo ele, veio o violão e, despois, o interesse por escrever poemas e compor suas próprias músicas. Aos 17 anos, ele já integrou um grupo gauchesco e hoje investe na carreira solo, gravando suas composições e apresentando-se em bares e pubs da região.
Enquanto o Cleiton tocava, numa breve pausa da chuva daquele dia, eu olhava os alunos da escola, animados entre a apresentação, a Mostra e o pátio molhado, na iminência da hora do recreio. Lembrei de uma hora do conto antiquíssima, lá no Instituto de Educação São José, naquele tempo ainda Colégio São José. Algo como uma adaptação de Pollyana, onde éramos instigados a pensar o que a gente podia fazer nos dias de chuva. Uma história que o tempo não me permite mais lembrar o nome, mas com ensinamentos daqueles que ficam gravados.
Dias de chuva podem, também, ser inspiradores. Bonitos, a sua maneira. Sim, tem o transporte público e as calçadas escorregadias; tem nossos pés encharcados. E sempre as nossas mesmas lamúrias, não? Perdão amigos pessimistas, mas gostaria de lembrá-los de que tudo se transforma na simples possibilidade de chegar em casa e descansar no sofá com os pés secos.
Eu li em algum lugar que até quando a gente ganha a gente perde, porque esse segundo já era, já passou! Mas o inverso também é verdade, o tempo passa e ganhamos experiência, conhecimento, e as coisas ruins, no mínimo, nos ensinam. É bom sair da zona de conforto, quando a gente se afasta dos velhos amigos pra conquistar novas amizades e, quem sabe, descobrir que, apesar da distância, algumas pessoas são pra sempre. Tente se alegrar quando alguém olhar de cara feia, afinal você não é assim, amargo e azedo. Que bom!
Tenho pra mim que quem faz o dia bom ou ruim é o nosso olhar, a nossa forma de encarar o que está chegando. Nesses dias, assim como na vida, não basta ficar de braços cruzados e cara emburrada. Na EEEM Erni Oscar Fauth, estão fazendo planos pra Mostra do ano que vem. O Cleiton disse que pretende seguir a vida não apenas tocando, mas passando mensagens através de suas canções.
Naquele dia, com seu entusiasmo, a mensagem da galera de Brochier reforçou minha ideia de que dias de chuva também são dias bons.

Deixe seu comentário