A reflexão principal deste final de semana vem da primeira leitura: “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55,8). É convite para conhecer e aceitar em Deus que não age conforme os critérios humanos, o que exige conversão, ou seja, mudança de mentalidade. O texto de Isaías funciona como uma introdução ao que é desenvolvido no Evangelho em forma de parábola, cuja conclusão é desconcertante: “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,16)). Está claro, portanto, que esta liturgia nos motiva a assumir nova lógica para vivermos de acordo com os valores de Deus, incompatíveis com as práticas humanas convencionais.
A justiça do Reino se manifesta no agir de Deus, o dono da vinha que cumpre a palavra e atende a todos, convidando a atitudes novas. Trabalhar na sua vinha, o Reino de Deus, não torna uns mais merecedores que outros. Cada um de nós e, com a própria história, seguindo a justiça do Reino, entra na dinâmica do amor de Deus, tornando-se também objeto de sua bondade e misericórdia. Os que foram contratados primeiro esperam receber mais do que o “justo” combinado. Pensam na justiça que retribui segundo o mérito, a qual se baseia na comparação e é sempre acompanhada do ciúme. Os que foram contratados por último, por sua vez, descobrem que o “justo” combinado vai além da bondade, mostra que sua justiça não é punição ou simples retribuição, mas solidariedade com os que vivem em situações de preocupação e sofrimento, como o desemprego.
Tem sentido, então, a pergunta do dono da vinha, diante de um ciúme que não admite o amor autêntico de Deus. Reconhecer-se agraciado por Deus e comprometer-se com uma justiça diferente faz a pessoa superar preconceitos e abrir-se às necessidades dos outros. Seria mais fácil, de antemão, tachar de vagabundo, aqueles trabalhadores contratados por último. O dono da vinha os questiona, descobre que estão desempregados, e o pagamento “justo” que ele faz se expressa em solidariedade, pelo drama que viviam. A justiça de Deus, enfim, iguala por alto, eleva à dignidade todos os seus filhos e filhas. E nos convida a uma lógica diferente, não baseada no mérito, mas a solidariedade que questiona, aproxima e inclui. Pois essa é a dinâmica do Reino de Deus. Portanto, longe de nos indicar que somos merecedores diante de Deus, a justiça do Reino nos leva a superar preconceitos, a superar a lógica da simples retribuição, para enxergarmos nos dramas alheios algo que nos questiona. Afinal, é aí que podemos experimentar de fato o agir daquele que é Bom.
Será que ainda mantenho a ideia errada de que Deus poderá me castigar pelos pecados com desgraças e sofrimentos? Quando rezo, coloco minha vida e minha morte nas mãos de Jesus? Entendo que devo praticar o bem por amor a Deus, sem esperar recompensa nem aqui nem no céu?
Pe. Luciano Royer

Horário das Missas na Matriz: Sábado 19h | Domingo 8h30min e 19h | Quarta-Feira 19h
Missas Sábado 19/09/2020
16h Potreiro Grande
19h Com. São Pedro e São Paulo (Matriz)
Missas Domingo 20/09
8h30min Com. São Pedro e São Paulo (Matriz)
10h Germano Henke
19h Com. São Pedro e São Paulo (Matriz) – MISSA CRIOULA
As missas da Matriz são transmitidas pelo Facebook no Sábado e Quarta-feira 19h

Deixe seu comentário