A liturgia do domingo passado tratou do tema da Palavra eficaz de Deus com base na imagem da semeadura, trazida pela parábola contada por Jesus no Evangelho. Na liturgia deste domingo, o discurso parabólico de Jesus continua, agora com o novo acento: o tempo escatológico. A noção – apenas insinuada na segunda leitura do domingo passado – de que o tempo esperado está às portas torna-se aqui o centro da reflexão. Esse tempo conta com uma espera paciente, radicada no próprio ser de Deus e em sua atitude para com os seres humanos; espera que é expressa na primeira leitura e terá seu contraponto na atuação do Espírito em favor dos humanos, atestada na segunda leitura. Em tudo isso, encontra-se presente a exclamação do salmista: “Ó senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel” (Sl 85).
O Evangelho deste domingo nos traz três parábolas: a do trigo e do joio, a da semente da mostarda e a do fermento. Nossa reflexão vamos concentrar na primeira parábola. Nesta, Jesus ensina sobre o Reino de Deus utilizando imagens da vida agrícola e familiar. Tal parábola pode servir como questionamento sobre o porquê do mal e a tentação de extirpá-lo precipitadamente. Bem e mal, muitas vezes, podem se confundir, como se dá com o trigo e o joio, muito parecidos quando estão em fase de crescimento.
O agricultor semeou a boa semente; durante a noite, o inimigo semeou o joio. Os dois cresceram juntos. Ao perceberem a presença da erva daninha, os empregados questionam o agricultor sobre o porquê dela e pedem para arrancá-la. O dono, prudente, exorta-os a ter paciência e diz que aguardem até o momento da colheita, quando o joio será queimado e o trigo guardado.
Muitos inimigos do povo semeiam o joio no meio da semente boa do Evangelho. Jesus os identifica como “falsos profetas”. Nem sempre é fácil decidir entre o que é bom e o que é mau. Muitas pessoas que se dizem “do bem” ou são assim tachadas – revelam-se, às vezes, os maiores inimigos do povo. O Mestre também nos dá uma dica interessante: pelos frutos se distinguem o bom profeta do falso.
Todos nós somos um pouco joio e trigo ao mesmo tempo. Ninguém pode pretender ser completamente bom e ver o outro somente como mau. Somos seres humanos limitados: virtudes e vícios, fortaleza e fraqueza, bons e maus. Não nos cabe fazer a triagem, eliminando o joio. Também nas comunidades, às vezes, existem pessoas que se dizem “do bem” e julgam ser os donos da verdade. Em todos nós há algo que precisa ser queimado (joio) e algo a ser cultivado (trigo).
Uma tendência natural das pessoas é a de dividir a humanidade em duas grandes categorias: os bons de um lado, os maus de um outro. Esta tendência existe também no plano religioso. Invocamos as bênçãos sobre nós mesmos, sobre nossas famílias, nossa nação; as maldições caiam sobre os outros, os inimigos, os que se opõem a nós. Apenas Cristo sabe quem é joio e quem é trigo e todos conheceremos isso no dia do julgamento. Enquanto isso Deus é paciente, bom e favorável à nossa busca sincera de sermos o bom trigo, na seara do Senhor.
Pe. Luciano Royer
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