Dizem que o segredo da juventude está na alimentação. Só que baldes de café preto não devem, definitivamente, fazer parte desse elenco de dietas rejuvenescedoras. Muito menos suculentos bifes, mal passados e com montanhas de batatas fritas, acompanhados de uma cerveja bem gelada. Nem macarronadas regadas a molho de carne, parmesão ralado e cabernet sauvignon. Ou dos churrascos do Luís e do Maurício. Da galinhada da Josi. E das patadas (no sentido de pato na panela, que fique claro) e cucas da Dona Délia, sem contar o arroz com queijo e calabresa da Daiane. Culpa deles, só pode. E dos chocolates Prestígio da minha mãe.
Olha, vez ou outra até pareço mais jovem, como dizem alguns amigos – querendo me dar aquela força ao perguntar minha idade e dizendo “te dou no máximo, no máximo… 50!”. Rá! Bela tentativa. Tenho 48. Amo meus amigos. Mas neste Carnaval, vivi um episódio mais curioso do que os de costume. Geralmente alguém me pergunta meio que afirmando “Já está aposentado, né, Oscar?”, como se eu fosse a mais nova vítima dessa injusta reforma da previdência. Um vovô trabalhando de bengalas. Sou obrigado a dizer que não, sigo na ativa, ainda posso ficar mais um tempo se quiser. Minha cara é que é assim. E nem trabalhei em minas de carvão. Só não respondo que sou igual ao vinho porque, né, aí força a barra. Eu já teria virado vinagre.
Pois estávamos numa pousada em Atlântida Sul. Eu caminhava pelo pátio com a pequena (pequeníssima!) Joana no colo, cantando as poucas músicas infantis cuja letra ainda lembro, tentando animá-la para aquele dia sorridente e ensolarado. O meu mais novo bebê adora um colo. Sim, mais novo bebê. Tenho filhos em série, acho que por levar fé na humanidade, não achar o mundo moderno assim tão hipócrita e violento e nem levar muito a sério esse papo de, ah, superpopulação, crise da água, etc. Só que não é verdade esse bilhete. Deixa pra lá.
De repente, uma simpática senhora aparece ao meu lado e sorri. Já havíamos nos cumprimentado no café da pousada. Gentil, eu disse à Joana para dar um olá para a moça, mesmo que Joana ainda só diga “unhé” em seu vocabulário de dois meses de vida. Detalhe: sempre falo “moça”, não importa a idade da minha interlocutora. “Tia” ou “senhora” são palavras que envelhecem as mulheres de forma injusta. Ela sorriu, a minha vizinha de quarto. Joana também. E tudo seguiu pacífico e harmonioso ao som do mar e à luz do céu profundo. Até que, lá pelas tantas, horas depois, ela encontrou Joana no colo da mãe dela e mandou:
– Linda, a tua bebê! Vi ela antes, no colo do teu sogro.
Hein? Sogro?!
Aí ferrou. Como assim, sogro? Josi quase explodiu, vermelha, teve que se trancar no banheiro para rir meia hora sem parar. Devia estar se achando a mocinha da avenida, essa alemoa: afinal, se tinha cara de minha nora, isso queria dizer que tinha cara de minha filha, por tabela. E Joana, oras, cara de minha neta. Mas que barbaridade! É um preconceito, esse mundo, vou te contar. O sujeito não pode ter a barba branca e um bebê no colo que tem que ser o avô da criança. Sofreremos ainda muito bullying na vida, minha filha. Mas resistiremos. Resistiremos! Mesmo quando eu for na escola para a apresentação de Dia dos Pais e… Tá, melhor não pensar nisso agora. Mas acho que vou bloquear o meu cunhado. Ele não para de me chamar de Vovô Bessi, no whats.

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