É verdade, o Brasil nunca foi o país mais justo do mundo. Muito menos teve um povo direcionado pelos seus gestores à construção educacional. Não à toa, boa parte de nossas manifestações artísticas, produzida só para arrancar dinheiro da grande massa, é tão débil em conteúdo. É pra não se precisar do cérebro. Ou, se usá-lo, que seja num percentual não muito superior ao das galinhas. Somos assim desde que exploradores invadiram tudo por aqui, matando sob justificativas divinas, exterminando culturas e arrancando nosso ouro, pau-brasil e etc. Ler, pensar e decidir eram privilégios da “elite”. Cinco séculos depois, não perdemos essa péssima mania. Ainda há quem ache a intelectualidade algo proibido para pobre, um símbolo de arrogância. Pena. Povo que pensa não se deixa levar a cabresto, igual manada passiva, no rumo do abatedouro.
Porém, convenhamos que, desde os tempos do Mobral, um sujeito com alguma vontade no lombo consegue pelo menos evoluir um pouco. No mínimo, para ler e deixar de ser bronco. E então entender que cultura e o conhecimento são para todos, até para quem labuta todo dia nos trabalhos braçais do campo ou da cidade. Ainda mais em tempos de internet. Pois burro é facilmente enganado por qualquer um, e qualquer baboseira cola como verdade. O conhecimento hoje está ainda mais fácil e acessível. Ah, os diplomas voltaram a ficar difíceis? Mas não é só diploma que encurta orelha, já dizia a minha avó, em Vapor Velho. O mínimo nós podemos e devemos saber. Podemos e devemos entender.
Ainda mais quem se oferece aos cargos públicos bancados pelo povão. Aí tem que ter ainda mais respeito por esse povo que sustenta tudo. E não ser ignorante. Um gestor público ignorante vai achar que solução para os problemas da nossa gente? Se mal sabe ler, vai entender o quê, vai fazer o quê? Berrar? Isso até bebê que não fala faz (pelo menos bebê não berra porque não ganhou carguinho em conchavo). Não é preciso diploma. E simplicidade é uma virtude. Mas, pelo menos, tem que respeitar quem o sustenta e ter o conhecimento necessário para fazer jus ao que o povo, com muito suor e sofrimento, lhe paga.
E se um sujeito, bancado pelo povo que trabalha, fala um monte de baboseira e, ao ver a bobagem que fez, usa a própria ignorância como desculpa, ah, então o deboche da nossa cara está escancarado. Até existem vítimas da nossa velha desigualdade social. Mas quem tem tempo e dinheiro pra se enfiar toda hora em boteco e bailão, jogar sinuca e bancar rodadas de trago, por favor, esse não investe em estudo porque não quer. É ignorante por opção. Ou é preguiçoso e só está no cargo público porque quer ganhar sem fazer muita força. Nós temos que bancar gente assim? O que um tipo desses faz por nós? Por favor! Nada contra a preguiça, mas que a banque do próprio bolso, não com o nosso suado dindim. Nós, que trabalhamos todos os dias e noites, queremos gente que resolva problemas. Que pense nos problemas. Que sabia os caminhos, as leis e faça jus ao que recebe.
Outra: ser preconceituoso não depende de estudo ou diploma. O preconceito está na alma e no coração das pessoas. E preconceituosos também são egoístas e oportunistas e se jogam para onde vai o vento, na covardia típica de quem humilha o outro por não ter capacidade de vencer sozinho. Tipo sanguessuga. Capacho. E o mais lamentável é que existe quem, posando de “novo” e contestador, por conveniência do seu umbigo, defende esse tipo de figura pública. Pobre povo! Mas não cutuquem a onça com vara curta. Toda paciência tem limite.

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