Várias pessoas estiveram na Câmara de Vereadores na manhã de quinta-feira, dia 4, para discutir um assunto de extrema importância para Montenegro: a falta de internet e telefonia nas áreas rurais. A demanda por atendimento é de anos e implica em dificuldades no acesso à segurança, educação e até no incremento da renda das propriedades que, desconectadas do mundo, não conseguem acessar várias das tecnologias que chegam para auxiliar o trabalho no campo.

Moradores, empresas do setor e representantes do Executivo estavam na reunião, proposta pelo vereador Valdeci Castro, do Republicanos. Porém, alguns dos presentes não conseguiram nem escutar o que estava sendo falado. É que, na sala ao lado, uma algazarra sem tamanho acontecia, dificultando bastante a realização da reunião. A conversa alta e a falta de noção eram tantas, que teve quem achasse que estava ocorrendo uma festa na “Casa do Povo”. Um dos moradores do interior chegou a se manifestar durante a fala de uma das empresas de telefonia pra dizer que não ouvia as explicações que estavam sendo dadas. O próprio Valdeci teve que ir até a sala para tentar conter a barulheira. Com toda a razão, ficou envergonhado com a situação. Todos deveriam ficar. Foi um papelão.

Na sessão, durante a noite, o republicano foi à tribuna para falar do assunto. Porém, ainda não quis dar nomes aos bois responsáveis pela situação; se eram vereadores, servidores ou quem mais. Mas disparou: “quando tem uma pessoa falando, eu baixo a cabeça e não corto a conversa da pessoa. Eu não esqueço um dia em que eu me meti numa conversa – eu tinha uns treze anos de idade. Meu pai me deu um tapa num ouvido que eu passei por dentro de uma área e caí lá na rua. Eu aprendi.”

O caso não é isolado. Faz lembrar o que, há meses, já vem chamando a atenção durante as sessões ordinárias do Legislativo. Enquanto colegas estão com a fala na tribuna, há vereadores que deixam a sessão para reuniões paralelas e até os que se dirigem a pessoas da plateia para iniciar alguma conversa (nem sempre em tom baixo). É comum, também, ver um ou outro com o celular na mão, ignorando a realização da sessão; e tem até os que se reúnem pra tirar selfies em meio às atividades legislativas.

Nós fomos conferir e não há, especificamente, nada que verse sobre o “respeito aos coleguinhas” no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Talvez porque, como ocorreu com Valdeci, quem escreveu o dispositivo já esperava que esse tipo de noção viesse de casa. É certo que, enquanto se cobra que a comunidade participe mais do Legislativo, também é preciso cobrar que os vereadores demonstrem mais compromisso com o seu principal espaço de trabalho.


Preocupante
A nova previsão do Governo Leite é que o edital de concessão das rodovias da região saia ainda neste mês. A projeção é de que as empresas interessadas apresentem suas propostas até março. Enquanto isso, as comunidades seguem sem respostas definitivas sobre a localização dos pedágios, que investimentos serão feitos ou, mesmo, qual será o formato do leilão. Saindo o edital, não tem mais volta.


Problemão
Ocupações irregulares como a da área verde próxima ao Loteamento Via II são um problemão que ninguém gostaria de ter. De um lado, há a demanda por uma fiscalização mais eficiente que aja, mesmo quando a tentativa é durante a madrugada, para frear a ocupação antes que as residências fiquem prontas. De outro, há um grave problema social de pessoas que, com o agravamento da crise econômica, ficaram sem condições de pagar aluguel e recorrem à invasão ilegal.

Numa das principais frentes para atacar o problema, a Prefeitura está cadastrada junto ao governo federal para receber novo empreendimento habitacional de interesse social; um que viabilize a casa própria às pessoas de baixa renda. O local pra isso deve ser uma área no bairro Senai, próxima à Marsul. Porém, por mais urgente que a demanda seja, a liberação não é certa.


Cheias do Caí
Em Brochier, o senador Lasier Martins (Podemos) comentou sobre a busca de recursos para o combate às cheias do Rio Caí. Há anos, ele está envolvido com a pauta, que tem base em estudo da Metroplan feito em 2015; e garante que é questão de honra vê-la saindo do papel. Martins diz que participou de várias reuniões em Brasília, mas a solução, atrasada pela pandemia, segue trancada na liberação de verba. O senador contou que também divergiu com o governo sobre o projeto, entendendo que obras são necessárias no trecho do rio de Bom Princípio para baixo; enquanto os ministérios defendem intervenções já desde a nascente. “Talvez, com o pretexto para complicar a liberação”, criticou. Só o projeto é avaliado em R$ 12 milhões.


Em pauta, o controle da dengue

FOTO: BLOG ÓLEOS ESSENCIAIS

O vereador Felipe Kinn (MDB) protocolou indicação ao Executivo para que se estude a criação de um programa de incentivo ao cultivo das plantas citronela e crotalária em Montenegro. Seria uma medida de controle natural ao mosquito transmissor da dengue. O parlamentar aponta que a citronela (foto) tem efeitos repelentes contra insetos e que a crotalária, por sua vez, atrai libélulas, que são predadoras do mosquito. Várias cidades implantaram a mesma medida; e a análise tende a iniciar uma discussão interessante. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, a Câmara chegou a aprovar projeto de lei para a adoção dessa estratégia; que acabou sendo vetada pelo prefeito no ano passado. Por lá, o Executivo apontou que não haviam encontradas referências científicas confiáveis quanto ao resultado da implantação, especialmente a da crotalária. Também disse que a medida poderia refletir no abrandamento dos cuidados principais de combate ao mosquito, como a eliminação de focos com água parada. Outras cidades, porém, fizeram a implantação; como é o caso de Maringá desde 2013. O município paranaense, porém, hoje vive alta de casos de dengue.


Enfim!
A prorrogação dos prazos de validade dos concursos públicos da Prefeitura de Montenegro, enfim, oferecem alívio aos muitos que seguem na lista de espera para serem chamados. É que, em meio à pandemia, as nomeações de novos servidores foram impedidas. Porém, o prazo de vigência seguiu correndo. Agora, o concurso de 2016 vale até maio de 2022; e o de 2019, até agosto do mesmo ano. É bom também pro Município que, sem eles, provavelmente teria que fazer novos concursos para suprir as mesmas demandas.


Repercussão
A Câmara de Vereadores fez um minuto de silêncio, quinta-feira, pelo falecimento de Luis Américo Aldana. O ato foi solicitado pelo vereador Valdeci Castro (Republicanos), amigo pessoal de Paraguaio e membro de seu governo. Castro foi o único que, na legislatura passada, defendeu o ex-prefeito no impeachment. Ele já havia declarado no velório que não iria ficar quieto se visse homenagens vazias ao falecido no plenário, especialmente dos que estavam presentes no processo de cassação. Foi respeitado.

Apenas Felipe Kinn (MDB) fez referência à Aldana na sessão, deixando seu voto de pesar e destacando que o ex-prefeito tinha o seu respeito. Dos “novos”, Ana Paula Machado (PTB), que foi diretora de Indústria e Comércio no governo de Paraguaio, se disse muito grata pela oportunidade recebida e lamentou a perda. Não houve manifestação dos demais.

FOTO: ARQUIVO/IBIÁ

Sem conclusão
Com a imagem manchada pelos apontamentos feitos na Operação Ibiaçá, Aldana se foi sem que o demorado Poder Judiciário concluísse os processos e julgasse sua culpa ou inocência nas irregularidades. Até hoje, nove processos diferentes tiveram origem nas investigações, a maioria em tramitação na 17ª Vara Criminal de Porto Alegre. Não há, porém, nenhuma sentença proferida. O Tribunal de Justiça informou à coluna que todos os processos ainda estão em fase de citação ou apresentação de resposta à acusação pelas defesas dos denunciados. Não chegou a iniciar a fase de instrução, nem foram designadas audiências sobre os casos. Infelizmente…

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