As duas viagens seguidas pra Brasília, num intervalo de poucos dias, fomentaram críticas ao governo municipal e o uso do recurso público. Isso, especialmente por prefeito e vice terem ido juntos dessa última vez. As manifestações motivaram a equipe de Zanatta a mudar a forma como as idas à capital são apresentadas. Na viagem anterior, havia cautela com a divulgação das agendas para não gerar expectativa quanto ao encaminhamento de recursos que podem demorar anos pra chegar. Já, na mais recente, a regra foi deixar bem claro os encaminhamentos feitos. Algo na linha de ‘olha aqui, montenegrino! É pra isso que você está pagando a viagem’.

E é importante, sim, entender o que bons relacionamentos em Brasília podem render de frutos ao Município. No Ministério da Agricultura, o governo protocolou na viagem projetos de R$ 2,6 milhões pra comprar retroescavedeira, caminhões, uma motoniveladora e equipamentos pra patrulha agrícola. No Ministério da Educação, um total de R$ 2,5 milhões em investimentos no transporte escolar e merenda. No da Saúde, o reforço a um pedido de quase R$ 1 milhão para custeio.

Já nos gabinetes, o deputado Bibo Nunes (PSL) recebeu projeto de revitalização da praça da rua Porto Belo; e prometeu emenda de R$ 250 mil para sua realização. Com o deputado Jerônimo Goergen (PP) foi deixado projeto de R$ 70 mil pra construção de espaço de informações turísticas dentro do Centenário. Ao deputado Marcelo van Hattem (Novo), foi solicitada emenda de R$ 950 mil para a revitalização do Balneário Municipal; e, com o deputado Márcio Biolchi (MDB), o governo recebeu a destinação de R$ 250 mil para capeamento asfáltico.

Promessa, também, vem do gabinete da deputada Maria do Rosário (PT). Lá, o governo pediu verba para um “ParCão” nos fundos da Estação da Cultura. Esse, avaliado em R$ 150 mil, com estrutura de rampas e obstáculos para o uso de pets; especialmente os que vivem em apartamentos. O projeto divulgado, porém, já enfrenta críticas de quem entende que, mesmo dentro da causa animal, há demandas mais importantes em Montenegro.

Nesse “modo divulgação” , rolou até live da Câmara dos Deputados; e uma visita ao presidente Bolsonaro para apresentação do projeto de revitalização da orla do Rio Caí. Certamente, se tudo se confirmar, a viagem estará mais do que bem paga; como fizeram questão de reforçar os vereadores governistas na Câmara na última quinta-feira. Do outro lado, praticamente sozinho como oposição atualmente, Paulo Azeredo (PDT) protocolou Pedido de Informação para saber exatamente o que foi gasto na capital.

Foto: divulgação

Mudança de planos
Quando divulgada a mais recente viagem, então com o prefeito e vice juntos, o governo se justificou apontando que Cristiano Braatz já tinha sua agenda marcada há mais tempo. Que o prefeito Zanatta só havia decidido ir junto pela honra de ter sido um dos pouco mais de cem convidados do País a participar do lançamento do Mês da Primeira Infância no Ministério da Cidadania. No fim das contas, porém, Braatz também participou do evento “entre os cem” e Zanatta optou por acompanhar o vice em várias das agendas.


PTB Mulher
A vereadora Ana Paula Machado aceitou o convite do partido e assumiu a presidência do PTB Mulher. Dentre os desafios, está o de agregar mais mulheres à participação política. “Durante décadas, as mulheres lutaram e ainda disputam espaços que estejam à altura das suas capacidades, habilidades e talentos, em meio à sociedade. Hoje vivemos um novo tempo, no qual a mulher deve ser reconhecida pela sua força, por seu preparo, por sua dedicação”, destacou a parlamentar.


CC’s no volante
O vereador Paulo Azeredo (PDT) está preocupado com os CC’s dirigindo carros nas secretarias do Município. Isso, diante dos motoristas que estão na lista de espera do concurso público aguardando para serem chamados. Na sessão de quinta-feira, colegas explicaram que, diante da pandemia, há lei complementar federal que limita a contratação de pessoal e precisa ser analisada. Valdeci Castro (Republicanos) ainda provocou, lembrando que, quando Azeredo era prefeito, “se pexavam CC’s dirigindo”, “com os motoristas sentados, esperando”. Paulo não respondeu.


Assunto delicado
Sugestão dada em reunião entre a Funai, vereadores e o governo municipal, retirar os índios de Montenegro, de volta para as áreas demarcadas, parece problemático. Ninguém manda embora ninguém de cidade nenhuma. O problema, de fato, é o terreno atual, que pertence ao Estado e é usado pela tribo ainda de forma irregular. Tem precária infraestrutura, fica em meio a uma área urbana e acarreta em uma série de conflitos entre assentamento e vizinhos dos quais estamos carecas de saber. Uma alternativa é urgente.

Foto: ARQUIVO IBIÁ

A situação é complexa, há de se apontar, por trazer com ela todo o contexto de uma dívida histórica do homem branco com um povo que estava aqui muito antes do Brasil ser “descoberto”. É uma cultura, um jeito de pensar e viver, que é muito diferente e que precisa ser respeitada. Porém, é justo que, por esse contexto, os índios possam formar assentamento numa área invadida no meio da cidade? Não há também tantas outras pessoas, de diversas cores, precisando de um lugar para viver e que seriam expulsas pela Justiça se tentassem o mesmo? Algo a se refletir.


Está tudo bem!?
Secretário Geral no Governo Zanatta, Vlademir Gonzaga dedicou toda a sua coluna de opinião no Ibiá na semana passada para reforçar o quanto está boa e alinhada a relação entre o prefeito Gustavo Zanatta e o vice, Cristiano Braatz. Não só entre eles, mas toda a equipe “para o desespero da turma do quanto pior melhor”. É que circulam rumores de que este “alinhamento” já não está mais tão alinhado assim na Prefeitura. Torçamos para que o secretário esteja certo. ´


Doeu
Paulo Azeredo (PDT) não gostou da forma como o governo municipal divulgou a mais recente reunião sobre o mamógrafo no HM. Desagradou especialmente a expressão “o que começa errado dificilmente se ajeita”. É que foi ele, enquanto prefeito, que comprou o equipamento; mas ele ficou parado por indefinição de onde instalá-lo.

O parlamentar lembra que técnicos do Estado chegaram a atestar como satisfatória uma sala na Assistência para a instalação. Só que, logo após, ocorreu o impeachment. Com o sucessor, então, custou, mas se decidiu por instalar a máquina no HM. Foi preciso reformar uma sala, houve falhas nos repasses e, com isso tudo, passaram-se quatro anos. O mamógrafo só entrou em operação em 2019. Logo estragou.


Racismo
O vereador Gustavo Oliveira (PP) acabou se envolvendo em uma polêmica nas redes sociais. Uma postagem sua que pedia a opinião dos montenegrinos sobre a regulamentação do comércio de ambulantes recebeu um lamentável comentário racista. A manifestação falava da preocupação de “meninas branquelas” nas ruas com “haitianos mal educados mexendo com a mulherada”. Não parou aí. O comentário ainda sugeria que a regulamentação seria como criar um “mercadinho negro”, que logo fomentaria a venda de “otras cositas”. Um show de preconceito e ignorância. O autor do texto foi denunciado por internautas. O vereador emitiu nota de repúdio.

2 comentários

  1. Quanto a ida do Prefeito e vice a Brasília em busca de verbas, cabe uma observação, a volta do pires na mão, a política do clientelismo. Bolsonaro para se manter no poder, criou o chamado orçamento paralelo, 24 bilhões de reais destinados a deputados do centrão, diga-se de passagem a maior compra de votos que se tem notícias da república. É humilhante, prefeitos em peregrinação a capital buscando verbas e promessas, imagina-se, são 5570 municípios no País, e por não haver um programa de desenvolvimento social obriga os mandatários a saírem em busca de verbas parlamentares, dinheiro esse do contribuinte, que é usado para promoção política do deputado como se fosse uma benesse. Lembro-me que havia no governo Dilma uma política de investimento em máquinas para municípios de até 50 mil habitantes, retro escavadeira, moto niveladoras, caçambas, ônibus, enfim, os parques de máquinas dos municípios foram reequipados com máquinas produzidas aqui no Brasil. Com isso, estimulamos a produção nacional e garantimos o emprego e a renda também para o trabalhador das cidades. Enquanto hoje, assistimos o desmonte de políticas sociais, sem um programa de desenvolvimento nacional em investimentos de infraestrutura, o Brasil sofre com o desemprego, fome, cesta básica nas alturas, inflação quase nos dois dígitos com previsão de 9% para 2022, enquanto temos um presidente que não governa e está preocupado com sua reeleição.

  2. Deputado Nereu Crispim destinou um montante considerável em emendas parlamentares. Vale a pena buscar as demais informações para fazer a matéria completa.
    Abraços e bom trabalho

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