É certo que o vereador Paulo Azeredo (PDT), ao propor uma alteração no título oficial de Montenegro, não esperava que o projeto teria tanta repercussão. O texto original era simples. Apenas adicionava à cidade a identificação de “Berço da Bergamota Montenegrina”. Era daqueles que muito cidadão poderia olhar e pensar ‘nossos vereadores não têm nada mais importante com o que se preocupar, não?”. Mas eis que a iniciativa acabou evidenciando quase que uma crise de identidade. Não pela parte das frutas, mas pelo trecho que, desde 2003, nomeia o Município como a “Cidade das Artes”.

A questão foi levantada por Camila Oliveira (Republicanos), que afirmou ser “consenso” em Montenegro que o título não deveria mais ser usado. A declaração gerou manifestações. Vários vereadores foram em defesa das artes montenegrinas, ocorreram debates em redes sociais e o Conselho Municipal de Cultura chegou a lançar uma carta aberta destacando o quanto a cidade é, de fato, “das Artes”.

Ao detalhar sua linha de pensamento, porém, Camila apontou que há artistas em Montenegro que acabam não conseguindo o apoio que precisam. Também destacou que muito do recurso municipal pra Cultura é centralizado na Fundarte; e que as Artes nem sempre chegam para todos os montenegrinos. O que se percebe é que talvez a discussão não tenha sido posta da forma mais ideal, mas ela não deixa de ser válida. Não é sobre tirar o título, é claro, mas sobre entender o porquê de parte de Montenegro não reconhecê-lo. Fazia tempo que não se falava tanto nas Artes de Montenegro como nessas últimas semanas; e há algo bastante positivo nisso. Há, sim, muito o que melhorar.

Precisa entrar nessa discussão, por exemplo, o “Pratas da Casa”; uma indicação feita pelo vereador Gustavo Oliveira para que vire regra que, nos eventos do Município, parte importante das atrações sejam artistas da cidade. É fazer acontecer.

No caminho da descentralização, também tem que voltar à pauta o Fundo Municipal de Desenvolvimento da Cultura; que ficou de 2016 a 2019 sem receber um centavo do Município. Diziam os governantes que a culpa era da falta de dinheiro e de problemas em prestações de contas. Só foi destinado recurso, novamente, em 2019 – mas míseros R$ 30 mil que contemplaram apenas os corais. Uma fatia maior de incentivo, com editais bem elaborados; que contemplem as mais diversas manifestações culturais; que regrem com responsabilidade o processo de prestação de contas; e que definam formas de esse artista “devolver”, com sua Arte, para a comunidade deveriam ser observados.

E são só algumas das demandas. Há outras. Enquanto a discussão segue quente, é o momento ideal para alinhá-las.


Suplente
No lugar de Paulo Azeredo por 16 dias, Rodrigo Corrêa (PDT) tem trabalhado num mandato coletivo. Divide seu espaço com os co-vereadores Carla Pozo e Lucas Braga. E o trio, com um curto espaço de tempo, já fez pertinentes provocações. Dentre elas, a indicação da criação de um fundo ligado ao Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência; que capte recursos em prol de soluções voltadas ao grupo. A reorganização das associações comunitárias e uma solução para a destinação de área para a Uergs também foram temas levantados.

FOTO: ACOM/CÂMARA

Incubadora
O Governo Zanatta está negociando a reforma do prédio da incubadora empresarial, no bairro Municipal. Quer tentar emplacar a obra como contrapartida a incentivo fiscal junto a uma nova empresa que está sondando Montenegro para instalação. O nome da organização ainda não foi divulgado. Tanto a reforma quanto o investimento são muito bem-vindos!

A incubadora, regulamentada em 2002, oferece espaço por tempo determinado para que empreendedores possam iniciar os seus negócios. Segundo a Smic, o último empresário contemplado desocupou a sala que ocupava no início deste ano, mas não entregou o espaço em boas condições. Está sendo acionado para promover as arrumações necessárias. O que é claro é que há espaço para melhorias na iniciativa para além da reforma estrutural. Quem sabe, com maior divulgação ou até uma parceria para qualificar mais os novos negócios contemplados. Por iniciativa do vereador Gustavo Oliveira (PP), a incubadora será tema de reunião com o Executivo e líderes empresariais nesta quarta-feira.


E aí, Corsan?
O prefeito Gustavo Zanatta foi até a sede da Corsan para cobrar DE NOVO o recapeamento da Ramiro Barcelos. A principal rua de Montenegro foi deixada cheia de remendos após a substituição da rede de água feita pela – ainda – estatal. O caso, lá em março, rendeu uma notificação da Prefeitura à companhia; o que, na prática, não resultou em nada. O presidente da Corsan, com o novo encontro, prometeu que dará um jeito. Com o Estado preocupado com a manutenção dos contratos com os municípios enquanto alinha a privatização da companhia, é bem provável que, agora, a situação se resolva.


Nova perspectiva
O aluguel das câmeras contratado recentemente para o Centenário e a Estação tem custado R$ 5,2 mil por mês à Prefeitura (R$ 62,4 mil no ano). A modalidade de contrato, em alternativa à compra, foi inaugurada no Governo Kadu em 2019. Na época, a ideia foi bastante criticada na Câmara; e, curiosamente, tinha no atual vice-prefeito, Cristiano Braatz, um dos principais opositores. O debate girou em torno do custo-benefício entre comprar e ter pra sempre; ou alugar por tempo determinado. A garantia de manutenção foi o que pesou favoravelmente ao aluguel.


Transporte público
Já faz tempo que qualquer discussão sobre transporte público em Montenegro acaba se resumindo basicamente a três questões. Redução de passageiros, concessão excessiva de gratuidades e a demanda para que a Prefeitura reduza impostos sobre o serviço sempre figuram entre as respostas sobre o que seria necessário para melhorar a situação. E foi o que surgiu, novamente, em reunião na última semana sobre as linhas do interior; proposta pelo vereador Sérgio Souza (PSB). O parlamentar questionou sobre o retorno de itinerários para localidades como a Serra Velha e a Vendinha; e, novamente, os mesmos desafios centrais foram postos. E cadê as soluções?


Kadu deixa o PP
O ex-prefeito Kadu Müller oficializou a sua saída do Progressistas e diz que não pretende concorrer a deputado em 2022 ou novamente a prefeito em 2024. Objetiva se dedicar à nova empresa que abriu nesse ano. Apesar das declarações, porém, ele não quer deixar a porta fechada por completo. “As coisas podem mudar no meio do caminho, como já mudaram muitas vezes”, fez questão de salientar ao Ibiá. E, de fato, na Política é tudo muito volátil. Kadu que o diga. Além de ter ido de vice a prefeito num processo de impeachment, ele passou por três partidos num curto período de seis anos.

FOTO: ARQUIVO/IBIÁ

De led
O início da instalação das lâmpadas de led pela cidade é mais uma promessa de campanha sendo cumprida por Zanatta. A iniciativa, porém, vem sendo questionada por montenegrinos que ponderam se não seria mais prático comprar os equipamentos e deixar que as próprias equipes da Elétrica os instalem. Isso, conforme as lâmpadas convencionais forem queimando e precisarem ser trocadas. É que a proposta do governo é de, com a compra, também terceirizar todo o serviço de instalação. O argumento para isso é o de que a equipe da Elétrica já é reduzida e não poderia abraçar mais esta demanda de ligação dos leds à rede pública. Porém, vai custar caro. São 820 lâmpadas nessa primeira etapa. O custo de cada uma, instalada, será de cerca de R$ 695,00. O total, R$ 570 mil.

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