O estudo para a concessão das rodovias 287, 240 e 122 saiu na quinta-feira e deixou os montenegrinos preocupados. Após meses e meses de análises, o governo estadual publicou o material trocando o nome da RSC-287 para “ERS” em parte das tabelas; e colocando a praça de pedágio em Muda Boi, praticamente na entrada de residências e isolando toda uma comunidade do restante de Montenegro. Que baita trabalho!
A divulgação também evidencia a falta de consideração com o governo local. Havia a previsão de um pedágio na ERS-240, entre Montenegro e Portão, que não se concretizou. Seria, provavelmente, em Capela de Santana. Acabou vindo pra cá e sem nenhum aviso prévio. O prefeito Gustavo Zanatta diz que só soube que teria uma praça em seu território com a publicação do estudo. Foi pego tão de surpresa quanto o resto da população. Na Câmara, ninguém sabia de nada, também.

A falta de um comunicado chama atenção especialmente porque, até onde se sabia, Zanatta vinha se reunindo com o Estado para discutir como ficaria a sua obra das rótulas na 287 diante da concessão. Através de nota, ele voltou a afirmar na quinta-feira que tocará em frente o projeto mesmo que para o repasse à iniciativa privada. Reforçou querer negociar algum tipo de ressarcimento. Mas se não foi nem avisado do pedágio, o governo municipal ainda parece ter pouca força para qualquer tratativa do tipo.
Como se não bastasse, entrevista ao Ibiá do secretário de Parcerias do Estado, Leonardo Busatto, foi um banho de água fria com relação à ideia. Ele esclareceu que a única “compensação” viável ao investimento milionário na estrada do Estado seria uma mínima redução na tarifa do pedágio. É muito pouco e mais uma mostra de como Montenegro é vista aos olhos do governo estadual.

O tratamento à travessia nos bairros Santo Antônio e Panorama, com isso, permanece uma incógnita. Se o Município não fizer, a solução só sai, no mínimo, a partir de 2024. Se fizer, a obra será importante, é claro, mas os cofres municipais, na prática, não terão nenhum retorno. E os munícipes ainda pagarão pedágio.

Chega a assustar que até quinta-feira nossas lideranças políticas locais não sabiam disso. Está mais do que na hora de tudo ser bem esclarecido e mais, de ações serem tomadas. Primeiro quanto a travessia e novas alternativas para a solução. Segundo, não sendo possível abrir mão do pedágio em Montenegro, que ao menos se consiga empurrá-lo mais à frente, em direção ao acesso à Tabaí-Canoas.

E é preciso mobilização da comunidade, também. Já é possível enviar as muito necessárias sugestões através do site “parcerias.rs.gov.br/rodovias”. Após, serão agendadas as audiências públicas, onde também será preciso união para fortalecer as demandas. Não podemos nos calar!


Cavalo de Lata
Em prática em outros municípios, esse projeto oferece uma estrutura metálica com carroceria a catadores (foto). É quase uma bicicleta elétrica, preparada para suportar grandes cargas; substituindo a tração animal. A implantação em Montenegro vem sendo pleiteada pelo vereador Talis Ferreira (PP), que promoveu reunião com o Executivo sobre o tema. A ideia é tentar um projeto piloto que avalie a adaptação dos catadores; aí fazer a adesão em maior escala. Desde 2006, a cidade tem lei que proíbe veículos com tração animal de circularem sem registro e garantia de condições adequadas aos cavalos. Na prática, porém, ela nunca funcionou.

FOTO: CHARLES KUHN

Aplicativo Cidadão
Anunciado pelo então prefeito Kadu Müller na ExpoACI de 2019, o APP Cidadão nunca saiu do papel. Era um aplicativo para smartphones onde o contribuinte poderia solicitar serviços, protocolar reclamações e receber atendimento em algumas áreas. A funcionalidade foi desenvolvida pela empresa Thema, que também desenvolveu o site da Prefeitura, e foi oferecida já dentro do pacote de serviços ofertados ao Município. Está até disponível para download nos celulares Android, ainda que seu uso não esteja operacionalizado.

A criação de aplicativo para ouvir a comunidade tornou-se promessa marcante de campanha do prefeito Zanatta. Mas o governo considera precária a opção existente que nem chegou a ser lançada. Questionada pela coluna, a Administração apontou que o App Cidadão anunciado por Kadu não roda em Iphones e que análise do setor de Informática mostrou que existem soluções bem mais eficientes no mercado. “O modelo mais adequado ainda está em formatação e será desenvolvido como parte de um projeto maior de Ouvidoria”, colocou o governo, sem citar prazos.


Com feriado
É destaque na edição do Ibiá desta terça-feira a reprovação na Câmara do projeto do Executivo que tornava ponto facultativo o feriado de São João Batista. Cada vereador, é claro, pode votar como bem entender. Mas dada a relevância da pauta, soou como desrespeito a ambos os lados interessados que nenhum tenha justificado o voto ou mesmo feito referência a ele durante a sessão.

A mudança atendia demanda do empresariado local que, em março, já passou semanas fechado em função da bandeira preta. Trabalhar com funcionários no dia 24, agora, só mediante acordo e pagamento de bonificação. É só um dia, mas seria uma ajudinha a mais a quem está lutando para equilibrar as vendas em meio à crise. Até o padre Diego Knecht, responsável pelos festejos do padroeiro, entendeu isso e tinha dado aval à alteração.


Por que não?
A bancada Progressista chamou especialmente atenção ao se posicionar contrária à alteração do feriado. O partido, com o Governo Kadu, viabilizou que a mesma mudança fosse feita ano passado. O líder da bancada, Gustavo Oliveira, não atendeu ao pedido do Ibiá para comentar o posicionamento.

Vereador da base do governo, Felipe Kinn (MDB) também esteve entre os seis que votaram não ao ponto facultativo. À coluna, ele avaliou que os empresários que quiserem poderão funcionar, desde que sem funcionários ou pagando os direitos dos que trabalharem no feriado. Contou que tinha sido buscado por trabalhadores que não queriam a mudança; e garantiu que não houve desalinhamento com o Executivo. Segundo ele, na reunião semanal entre os poderes, a Administração reforçou que o pedido vinha do empresariado e que os parlamentares podiam votar como bem entendessem. Ao contrário deste ano, Kinn foi favorável que, no ano passado, o dia de São João deixasse de ser feriado. Disse que entendeu serem momentos diferentes; e que, no período de 2020, era enfrentado o pico da crise econômica.


Dos professores
O Plano de Carreira dos professores municipais segue parado na Prefeitura de Montenegro. O estudo, com as alterações para a categoria, foi concluído em 2018 por uma comissão interna. Não virou projeto de lei no Governo Kadu diante das polêmicas do Plano de Carreira dos demais servidores públicos, que renderam até CPI para investigar supostas irregularidades em sua aplicação. A secretária de Educação, Cíglia da Silveira (foto), garante que há interesse em tocar as tratativas em frente, atualizando o estudo para a realidade de 2021. Por enquanto, porém, qualquer reajuste ao funcionalismo é proibido no País, em função da pandemia. A ideia, ela adianta, é logo iniciar essas atualizações e ter o estudo em dia para virar projeto de lei tão logo saia a autorização.


Devendo
O Governo Zanatta deu uma alfinetada de leve ao antecessor na quinta-feira. E com certa razão. Noticiou que o Município “comprou” trator em dezembro para repassar à Citruscampo sem que o dinheiro para a aquisição tivesse chegado aos cofres. Ele era proveniente de emenda patrocinada pelo deputado federal Giovani Cherini (PL). A publicação dá conta de que a Prefeitura estava sendo cobrada pelo fornecedor, com a dívida em aberto, e que foi colocada em “situação delicada”. O dinheiro, R$ 110 mil, caiu na conta só na quinta-feira; mas o fornecedor abriu mão da correção monetária do débito. Felizmente!

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