O tabuleiro dos pré-candidatos ao governo do Estado pode significar bons tempos para Montenegro. Nesse domingo, o diretório do MDB oficializou o nome do deputado estadual Gabriel Souza pra representar o partido na corrida eleitoral. Em 2018, o parlamentar natural de Tramandaí foi eleito com a ajuda de apenas 46 eleitores de Montenegro. Na disputa para chefiar o Executivo estadual a partir de 2023, ele traz na bagagem sua influência no convencimento para o Governo Leite incluir, como prioridade, a construção das rótulas da RSC-287 no cronograma de obras deste ano. Conquistou merecidos pontos com os montenegrinos que há décadas convivem com o problema.

Com Cristiano Braatz, Rafael Cruz e Alexandre Muniz de Moura, uma representação de peso na oficialização da pré candidatura de Gabriel Souza ao Governo do Estado

O bom relacionamento construído com Gabriel Souza pelo governo municipal liderado por Gustavo Zanatta e Cristiano Braatz, certamente, trará mais frutos positivos se o deputado se tornar, mesmo, governador. Braatz, que é colega de partido dele, é um apoiador declarado. É claro, também, o sentimento de “dívida” da Administração com o parlamentar. Zanatta reconhece isso. Disse publicamente que tem um saldo com o emedebista, mas, hoje, ainda é cauteloso em declarar apoio num cenário em que muitas coisas podem mudar.

Pesa ao prefeito de Montenegro o fato de seu partido, o PTB, ter firmado aliança com um outro candidato já definido: o senador Luiz Carlos Heinze, do Progressistas. A petebista Tanise Sabino será a sua vice. Heinze também tem boas relações em Montenegro. Já contribuiu apontando emendas parlamentares pra Saúde e, mais recentemente, para a pavimentação de ruas. E é do partido que, hoje, tem mais força na Câmara de Vereadores: a bancada formada por Ari Müller, Gustavo Oliveira e Talis Ferreira. Pra Senador, em 2018, Heinze recebeu 11.852 votos por aqui.

Uma outra peça que tenta se encaixar no jogo é o vereador Paulo Azeredo, que colocou seu nome à disposição do PDT para disputar as prévias se o nome pretendido pelo partido – o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan – não aceitar concorrer. Semana passada, Bolzan já declarou que não tem condições de deixar o Tricolor no momento, porém o apelo continua. Há quem fale em Vieira da Cunha como alternativa, mas o ex-prefeito de Montenegro aposta em suas chances. Ele precisa provar ao partido que teria reais possibilidades de vencer as eleições.

Num improvável cenário em que a candidatura se confirme, será interessante observar como a Administração Municipal se comportará. Será que o prefeito de Montenegro apoiaria o candidato montenegrino, mesmo sendo ele um de seus principais adversários?

Do mais, a disputa ao Piratini também deve contar com Onyx Lorenzoni, candidato de um Bolsonaro que, mesmo sem toda a popularidade de 2018, ainda tem fortes apoiadores no Município. Além dele, Delegado Ranolfo – hoje do PSDB, mas até o ano passado, um colega de partido de Zanatta – tende a ser o nome da continuidade do Governo Leite. Beto Albuquerque (PSB), Edegar Pretto (PT), Roberto Argenta (PSC), Luiz Carlos Busato (União Brasil) e Marco Della Nina (Patriota) são outros nomes na condição de pré-candidatos. Até a realização das Convenções, novas alianças e composições podem ocorrer…o martelo só será batido em agosto.


Aos animais
Montenegro terá um setor específico, dentro da Vigilância em Saúde, voltado ao bem-estar animal. A criação está sendo alinhada dentro do novo organograma da secretaria de Saúde, que está em fase de elaboração. Ainda não foram divulgados detalhes, mas a iniciativa – sugerida pelo vereador Gustavo Oliveira (PP) – deve alinhar, numa mesma equipe, as ações voltadas à causa animal; desde o programa de castrações até as campanhas de combate à violência e ao abandono.


Federalizada
Com compromissos em Brasília, a vereadora Camila Oliveira (Republicanos) se reuniu com Flavio Giussani, secretário de assuntos federativos do Governo Bolsonaro. Dentre os assuntos tratados, esteve o pedido de federalização da ERS-124, estrada estadual que liga a RSC-287 à BR-386. Camila entende que, nas mãos do governo federal, a rodovia seria melhor cuidada. Mas quem lembra da precariedade da 386, por aqui, antes da concessão, tem suas dúvidas.


Homenagem
A Câmara criou uma nova homenagem, Mulher Cidadã de Montenegro, pra reconhecer mulheres que tenham contribuído com o Município. O título se soma aos votos de congratulações, sessões solenes, nomes de rua e títulos de Cidadão Montenegrino que a casa têm para homenagear pessoas e instituições. É bonito reconhecer alguém por seus méritos e os vereadores sabem disso. Do ponto de vista político, as homenagens sempre rendem pontos com o eleitor.


Repeteco
Na sessão de quinta-feira da Câmara de Vereadores, não podia ser diferente, o tema “rótulas da RSC-287” dominou boa parte dos discursos. Repercutindo o lançamento do edital para execução da obra, Paulo Azeredo (PDT) e Talis Ferreira (PP) acabaram protagonizando a mesma discussão que já tiveram outras duas ou três vezes, ano passado, sobre o tema. Pra quem não lembra do roteiro, Azeredo faz referência às sinaleiras que quase foram instaladas em seu governo como prefeito, critica valores e a falta de solução para o tráfego de pedestres na altura do Panorama. Talis contra-argumenta. Destaca a importância da solução, enfim, sair do papel; e o fato de que as vidas salvas com a potencial redução de acidentes não têm preço.


Olhando pra trás
O ex-prefeito Percival de Oliveira manifestou-se em relação a comentário feito nesta coluna. Ele reconhece a importância da articulação do Governo Zanatta pra viabilizar as obras na travessia do bairro Santo Antônio, na RSC-287, mas destaca que é justo lembrar o papel que tiveram os governos anteriores na busca de solução. “É uma construção”, destacou à Coluna. Foi na gestão dele que o Município firmou parceria com o Daer para construir, com aporte da Prefeitura, a rótula na entrada do Cinco de Maio; trecho marcado por sérios acidentes. Também foi em seu governo que a Prefeitura fez a rótula “do Shell”, após mobilização que contou com o apoio do então deputado Paulo Azeredo. Percival lembra que, na época, o Estado tinha planos de desviar a 287 para não cortar a área urbana de Montenegro; algo que nunca ocorreu. Já Azeredo, quando prefeito, tentou a instalação das sinaleiras na estrada e chegou a comprá-las. Foi cassado e as tratativas não foram em frente. E foi na gestão de Kadu Müller que o Município investiu R$ 200 mil num projeto das rótulas. É justamente ele que será usado – uma das etapas – pra execução neste ano.


Reflexo na concessão
No momento, a construção das rótulas não vai mudar nada no edital publicado pra concessão da RSC-287 à iniciativa privada. O documento previa uma solução diferente para a travessia. Pelo edital, a concessionária não faria rótulas, mas uma elevada para a estrada passar por cima da rua Ernesto Zietlow. Diante da nova situação, as empresas que vierem a disputar a concorrência já têm conhecimento que receberão a 287 com esta obra executada. Assim, cabe a estas avaliarem quanto a necessidade ou não de construir a elevada. Sem ela, é possível que as interessadas no contrato consigam propor tarifas de pedágio um pouco mais baixas.

Segundo o secretário estadual de parcerias, Leonardo Busatto, se o Município não tivesse conseguido viabilizar a construção das rótulas para este ano, uma solução pra travessia só sairia, na melhor das hipóteses, em três anos. Isso, ao que parece, sendo bastante otimista. Não dava mais pra esperar pra resolver isso!


Tem até pras federais…
A realidade do caixa do Estado está bem diferente. Após anos penando pra investir em estradas estaduais, agora sobra dinheiro pra botar até nas federais. O Governo Leite anunciou R$ 490,2 milhões nas BR’s 116 e 290. Bem que poderia sobrar um pouquinho pra instalar uma passarela de pedestres sobre a RSC-287, no Panorama, né!? Essa, efetivamente, é estadual.


Mandato cassado
Segundo deputado estadual eleito com mais votos em Montenegro, Ruy Irigaray (hoje, do União Brasil) teve o seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa na última semana. A cassação deu-se em razão da denúncia de utilização de funcionários do gabinete, pagos com dinheiro público, para fins pessoais. Um deles, pra uma obra na casa da sogra do parlamentar. Ele diz ter sido vítima de uma armação de desafetos políticos e nega a denúncia.

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