Ao se posicionar sobre o novo pedágio no Município, o prefeito Gustavo Zanatta repetiu um discurso já trazido pelo secretário estadual de parcerias, Leonardo Busatto. O de que, sem a concessão e a praça em Montenegro, a RSC-287 seguirá sem melhorias por, pelo menos, 30 anos, dadas as condições de atendimento do Estado. É quase uma ameaça “enfeitada”, feita para impor aos montenegrinos que, ou aceitam o pedágio ou seguirão com a estrada precária e sem resolução ao problema das travessias. Não é possível engolir uma coisa dessas.

É fato que a concessão à iniciativa privada tem sido alternativa em muitos lugares para garantir melhores condições de tráfego porque o poder público falha no atendimento. Mas é sempre bom lembrar que pagamos impostos para termos este atendimento. Além disso, já está a pleno o Programa Avançar que, em várias rodovias gaúchas que não serão concedidas, prevê o R$ 1,3 bilhão do Estado em melhorias. É um dos maiores investimentos da história para a área de mobilidade. Mas para Montenegro, não! Para Montenegro, só se for com pedágio.

“Por que o Município não pode ter (os investimentos)?”, perguntou o vereador Talis Ferreira (PP) na tribuna durante a última sessão da Câmara de Vereadores. “Porque nós nunca temos um consenso entre nossas lideranças”, ele mesmo respondeu. Certeiro.

No legislativo montenegrino, ainda não há um consenso sobre o tema. Uns são veementemente contra o pedágio, outros já são mais alinhados à “ameaça” de que, só com ele, teremos melhorias na rodovia. E quem não quer uma 287 duplicada, com rótulas e travessias, afinal? O fato é que sem um alinhamento dos representantes da comunidade, a demanda que for tem pouca força diante de um governo estadual que parece pouco se importar com o que realmente precisamos.

Até mesmo o prefeito Zanatta, às voltas com o investimento de R$ 6 milhões nas rótulas que prometeu na estrada do Estado, enfrenta indefinições. Agora que soube que os cofres do Município não terão compensação financeira pela obra se uma empresa assumir a 287, ele ouviu do secretário Busatto que é possível garantir, como pagamento, outros investimentos em Montenegro no mesmo valor. Seria nas áreas de infraestrutura ou Saúde. É “possível”! Ao Ibiá, o mesmo Busatto também falou em tentar pleitear com a EGR, hoje responsável pela rodovia, a construção das rótulas antes da concessão. “Tentar!”.

O posicionamento do governo municipal, com isso, fica dependendo das duvidosas contrapartidas. Enquanto reforça o entendimento de que melhorias só com a concessão, Zanatta garante que fará as rótulas. Mas diz que só aceita pedágio se houver garantias de compensação. Ainda são muitas as indefinições.


Recado
Ao receber o prêmio Mulheres que Brilham, Rose Almeida fez questão de reforçar que está apenas dando um tempo da Política. Indicou, assim, que seu nome pode voltar às urnas nas próximas eleições; quem sabe numa posição de vice ou até de prefeita. Na rodada de entrevistas da premiação, Rose já tinha dado declaração parecida e parece preocupada em reforçá-la. Ter sido indicada ao prêmio e, após, ser a mais votada na comunidade foi um indício de que, apesar de afastada, seu nome ainda tem força na política local.


Absorventes
A vereadora Camila Oliveira (Republicanos) vem trabalhando para que o poder público forneça absorventes higiênicos em escolas e postos de saúde para pessoas vulneráveis. Enviou indicação ao Executivo Municipal e ofício ao Estado sugerindo a política que tende a ajudar muitas mulheres, especialmente as mais jovens. Pode evitar constrangimentos e estender o acesso a quem não tem condições de adquirir o produto. Enquanto projeto oficial não é criado, Camila busca parcerias com estabelecimentos comerciais que se tornem pontos de doação dos absorventes que serão destinados.


“Corrida” da vacina
Ao propor metas de vacinação e estipular prêmios em dinheiro aos municípios que terminarem mais rápido o processo de imunização contra a Covid-19, o governador Eduardo Leite comete uma injustiça. Sugere que a culpa pelo ritmo lento é dos prefeitos, quando, na verdade, a maioria já teria concluído a tarefa se a União conseguisse fornecer vacinas suficientes.

Tanto é verdade que, em apenas três dias, Montenegro avançou sete anos nas faixas etárias atendidas. Estava em 53 anos na sexta e ontem vacinou a partir dos 46. A meta que o próprio governo estabeleceu prevê que as pessoas com 45 anos estejam atendidas até 15 de julho. Por aqui, graças ao trabalho dedicado e eficiente da Secretaria da Saúde, o objetivo deve ser alcançado 16 dias antes.


Ainda, os alagamentos na rua Osvaldo Aranha
Convocada pelo vereador Talis Ferreira (PP), reunião na Câmara discutiu com representantes do Executivo uma solução para os alagamentos na rua Osvaldo Aranha. É um problema antigo de quem mora na via, nas proximidades do 5º BPM. Moradores chegaram a ter esperança com uma obra feita pela Prefeitura em 2018 e divulgada como a solução. Não resolveu. A justificativa, na época, foi de que a intervenção acabou sendo apenas uma troca de canos; e não a esperada resolução. Foi um banho de água fria. Tomara que, dessa vez, a demanda seja tratada com mais respeito e atenção.

FOTO: ARQUIVO/IBIÁ

Segredo
Questionado pelo Ibiá, o prefeito Gustavo Zanatta não revelou à comunidade o motivo da nova troca de chefia na Guarda Municipal. Já é o terceiro chefe do órgão só neste ano. Primeiro, o cargo vinha sendo ocupado por Robson da Silva, que pediu exoneração alegando motivos pessoais. Assumiu, em abril, o sargento José Carlos Machado da Rosa, que ocupou a função por apenas dois meses. Foi exonerado. O novo chefe é o tenente da reserva da Brigada Militar, Airton Silva dos Santos (foto).

FOTO: ACOM

Meio injusto
Após a Prefeitura ter custeado a reforma do espaço e continuado com a contratação de um estagiário ao setor, dois órgãos estaduais decidiram cortar a capacidade de atendimento do Posto de Identificação de Montenegro. Acordo entre o IGP e a penitenciária permitiu o repasse de uma das duas estações que emitem as carteiras de identidade para a unidade prisional. O setor que atende a demanda dos montenegrinos, agora, ficou ainda mais precário.

A justificativa para a troca é a segurança e a facilidade logística de não ter que trazer os apenados para fazerem o RG no Centro. Até então, em um dia da semana, o posto era fechado especificamente para isso. Parecia bastar. Questionada pela coluna, a direção da penitenciária não divulgou quantos RG’s estão sendo emitidos por lá, agora, alegando, também, questões de segurança. Apesar do tratamento dado ao Município, é bom lembrar que o secretário de Segurança Pública do Estado é o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior. Ele é do PTB, colega de partido do prefeito Zanatta.


Sem saber
Duas semanas depois de ter ajudado a aprovar o programa “Juro Zero”, o vereador Ari Müller (PP) foi à tribuna criticar a iniciativa. O projeto prevê o pagamento, pela Prefeitura, dos juros de financiamentos a pequenas empresas; e está por ser liberado pra adesão no próximo mês. Para o parlamentar, o empréstimo de três a cinco mil reais com dois meses de carência e só um ano para pagamento é pouco diante da demanda do empresariado local. Mas essas condições já tinham sido divulgadas dias antes de o projeto ter sequer chegado à Câmara. Era de esperar que, quando deu seu voto favorável, Müller já tivesse conhecimento do que estava votando.


Venezuelanos
O Governo Zanatta foi acusado de xenofobia ao se posicionar como “preocupado” quanto à vinda de refugiados venezuelanos que trabalharão na JBS. A preocupação com um repasse financeiro da União para ajudar nos atendimentos ao grupo também não pegou bem. Mas o grande erro, talvez, foi a forma como a questão foi colocada à comunidade; e não a preocupação em si. É papel do governo, afinal, estar preocupado em oferecer escola, posto de saúde e assistência social aos moradores de Montenegro, tendo eles nascido na Venezuela, na Alemanha, ou por aqui mesmo, no HM. E que bom que a preocupação existe! Só que o jeito como o posicionamento foi divulgado, realmente, pareceu pouco receptivo aos estrangeiros.


São João
Criticados pela falta de posicionamento no projeto que tornaria o feriado de São João Batista ponto facultativo, alguns vereadores foram à tribuna corrigir a falha na última sessão. Sérgio Souza (PSB) e Talis Ferreira (PP) trouxeram justificativas parecidas: de que foram contra a mudança do feriado para ficar do lado do trabalhador; e que os supermercados, que seriam os mais interessados na alteração, em função do pagamento de horas extras, já tinham sido os que mais lucraram em meio a pandemia. A dupla esquece que a demanda principal pela flexibilização não era dos mercados, mas do comércio em geral, que por três semanas não pôde funcionar, em março, em função da bandeira preta. São os considerados “não essenciais” aos olhos do Estado.

Outra manifestação foi de Paulo Azeredo (PDT). Ele disse que foram desrespeitosos os empresários que acompanhavam a sessão e deixaram o plenário, em protesto, após o resultado da votação. Quem sabe a falta de respeito não foi dos vereadores, que ignoraram a situação dos comerciantes?

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