A entrada na adolescência põe em jogo várias problemáticas: as questões de independência, identidade, identificação com as figuras parentais, problemas com a estruturação da nova imagem corporal e as mudanças internas e externas ligadas com a sexualidade.
Todas estas mudanças, tanto as internas como as externas, levam o adolescente a viver um estado de desorganização nas suas representações internas provocando, às vezes, sentimentos persecutórios ou de estranheza.
O corpo ocupa um lugar importante, podendo constituir um elemento facilitador ou um obstáculo neste momento evolutivo.
A bulimia, ou seja, o hábito de comer e vomitar, tem sido considerada uma patologia grave e de grande complexidade. Estas condutas atuadas podem estar relacionadas a traços fóbicos, histéricos, depressivos ou persecutórios. A bulimia pode facilmente ser escondida de seu entorno durante muito tempo.
Os vínculos afetivos seguem o mesmo modelo alimentar, pois ocorre a mesma alternância entre avidez e rejeição, dificultando o estabelecimento de relações estáveis.
Na anorexia, a obsessão com a alimentação e com atividades físicas tem a função de criar uma saturação na mente, na qual, fica tudo resumido na preocupação monótona com calorias, peso e exercícios.
O sintoma anoréxico tem um sentido de busca de independência e individuação: “não preciso de nada e de ninguém”. Evidentemente isso é conseguido através de mecanismo de ordem psicótica, com várias distorções da realidade interna e externa. Há uma nítida distorção da imagem corporal. A pessoa está magra e esquálida e se vê como gorda.
Neste caso, a pessoa anoréxica não sente necessidade de ajuda. A situação de morte nem sempre é percebida ou temida, já que a própria morte às vezes é idealizada como libertação.
Ambos sintomas e patologias são graves e nem sempre são assim percebidos pelos doentes, pois estes negam e afastam, a princípio, qualquer ajuda.
Temos que, enquanto terapeutas ou familiares, demonstrar muita paciência, cuidado e sensibilidade para abordar os assuntos. A compreensão do terrível desamparo e sofrimento nos oferece a oportunidade de poder abrir novos caminhos em sua resistência, porém não é fácil ganhar sua confiança e estabelecer um vínculo terapêutico.

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