Sobre os recentes fatos traumáticos dos meninos na Tailândia, seu sofrimento e medo em uma caverna escura e fria, assim como a crescente onda de violência em nossas cidades, que pode ser em assaltos, sequestros, abuso sexual, acidentes de trânsito, enfim todas as situações que colocam as vítimas em estado de choque, após o fato agressivo.
As pessoas vivenciam diferentemente o mesmo fato. Algumas conseguem, após algum tempo, superar o trauma de maneira mais natural. Outras, sofrem mais e muitas vezes se sentem paralisadas e impotentes frente a situações que pode associar ao ato traumático.
As reações podem ser influenciadas pela idade e o momento de vida em que o trauma aconteceu. A intensidade dos sintomas de dor, medo e raiva pode ser entendida de acordo com a experiência pregressa do agredido, e da maneira como se relaciona com os conflitos do cotidiano.
Cada pessoa, após uma vivência violenta, pode manifestar a angústia de diversas formas. Algumas conseguem se manter aparentemente frias e sob controle, outras entram em desespero, outras ainda ficam paralisadas e sem reação. Muitas vezes isentas de afeto. O instinto de sobrevivência e de proteção é pessoal, é particular de cada indivíduo.
Logo após o ocorrido, muitas pessoas se mantêm num estado de anestesia emocional, tendo dificuldades em entender que aquele fato foi real e que ela fez parte dele.
Há possibilidade de se desenvolverem estados constantes de ansiedade, de alerta e de vigilância, assim como respostas exageradas de sobressalto e apreensão. Inicialmente tudo pode ser motivo de ansiedade. Aos poucos, o normal é haver acomodação e volta novamente à rotina.

Porém, algumas desenvolvem o estresse pós-traumático ou algum quadro de fobia e pânico. Em alguns casos, as reações perduram por meses ou até anos, expandindo-se para outras situações que não estão relacionadas ao ocorrido. Neste caso, a pessoa tende a ver tudo pela ótica do medo, tudo o que a pessoa percebe é sob a perspectiva de seu padrão ansioso e angustiante.

As pessoas que vivenciam situações semelhantes precisam receber atenção cuidadosa. Pois pode afetar sua capacidade de lidar com sentimentos e emoções. O impacto que a experiência teve em sua vida e a qualidade de suas experiências de vida, dali para frente, depende da elaboração deste trauma e do luto. Muitas vezes os sentimentos são carregados de culpa por não ter sido eficaz em prever o ocorrido.

O que importa é a pessoa aceitar-se como falível e entender que poderá ter reações inesperadas. Nem tudo é previsível.

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