O psiquiatra americano Roger Pitman, está pesquisando um medicamento capaz de remover o pavor associado às lembranças ruins e traumáticas. O Transtorno de Stress pós-traumático é algo real, em que a pessoa vivencia dores e lembranças que ocorreram há anos, como se fosse hoje.

As dores de um trauma são melhores explicadas por quem já passou por momentos de extrema angústia, medo e pavor.

As pessoas que passaram por situação traumática, devido à dor e angústia, lembram muito mais da estória do conflito do que uma descrição de acontecimentos de fatos cotidianos. O medo e o pavor cimentam as lembranças na memória. A pessoa traumatizada, não consegue se liberar destes fatos, adormece e acorda tendo o trauma como primeira lembrança.

Gibran diz que ”a dor é o rompimento do invólucro que encerra nossa compreensão. Assim como a semente da fruta deve quebrar-se para que seu coração apareça ante o sol, deste mesmo modo devemos conhecer a dor”.

Eu diria que só tomando conhecimento das causas do sofrimento, falando, abrindo o coração é que podemos quebrar o bloqueio de esperança e da aceitação.

Os sintomas são sempre os mesmos, pessoas traumatizadas continuam revivendo o acontecimento terrível em pesadelos e flashbacks, embora evitem tudo que possa lembrá-los do que vivenciaram. O acontecimento incomoda a vítima de tal forma que ela mal consegue se concentrar podendo apresentar lacunas na memória, além de ser atormentada por angustiantes sentimentos de culpa.

Mesmo tendo passado meses ou anos do fato traumático, qualquer lembrança transporta a pessoa ao fato e as angústias relacionadas a ele, como se estivesse revivendo o episódio.

O stress pode estar relacionado aos veteranos de guerra, a traumas de estupro ou abuso sexual, a vivências agressivas na infância, a assaltos ou sequestros. Porém nem sempre são estórias de terror, mas a pessoa vivencia como tal e sofre muito, muitas vezes paralisando atividades corriqueiras.

A medicação já é conhecida do meio médico, o betabloqueador propranolol também empregado em tratamento cardíaco. Isso não afasta o tratamento psicoterápico que ajuda a entender e canalizar a raiva e medo de sua fragilidade.

Como tudo que está em estudo, é importante ter cautela e observação aguçada, porém quem sabe temos algo que nos ajudará no futuro aliviar a dor psíquica de muitas pessoas.

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