Nesta época do ano, por conta das férias, mesmo os sites de notícias costumam turbinar suas seções de entretenimento. É ótimo porque a gente acaba se deparando com artigos e matérias que, na correria dos outros 11 meses do ano, provavelmente passariam batidos. Saudosista assumido, fui fisgado, nesta semana, por um artigo sobre a série “Profissão Perigo”, que completa 35 anos em 2020. Se você, assim como eu, foi adolescente na década de 80, ainda deve se lembrar, de forma muito viva, das peripécias do agente secreto MacGyver, um sujeito que enfrentava qualquer perigo usando apenas um canivete suíço e materiais do dia a dia, como papel, plástico, cacos de vidro, pedaços de tijolo ou alguns metros de barbante.
As aventuras do mestre do improviso foram ao ar, originalmente, de 29 de setembro de 1985 até 21 de maio de 1992 pela rede ABC, dos Estados Unidos, e transmitidas para vários países, entre eles o Brasil. Aqui, era através da Rede Globo que os capítulos chegavam à TV, em diferentes horários. Primeiro, às segundas-feiras à noite; depois, nas tardes de domingo e, por fim, na “Sessão Aventura”, pouco antes da novela das seis. Foram sete temporadas, somando 139 episódios.
O que eu gostava no MacGyver é que, numa época dominada pelas chacinas cinematográficas protagonizadas pelo Sylvester Stallone, por Chuck Norris e pelo Arnold Schwarzenegger, ele não matava seus oponentes. Apenas os tirava de combate. Por sinal, o personagem vivido pelo ator Richard Dean Anderson não usava armas de fogo. Na infância, ele havia perdido um amigo num acidente com um revólver, o que o deixara traumatizado. Ainda que seus feitos fossem heróicos, esta circunstância o tornava mais humano e acionou a minha simpatia.
Lembro que, num dos muitos episódios a que assisti, o agente secreto construiu uma bomba caseira com o uso de fertilizantes e óleo de carro. MacGyver embrulhou tudo em um jornal, fechou com fita isolante e usou um fósforo para iniciar a explosão. Em outra de suas peripécias, fez um telescópio para espiar uma senha e entrar em uma base militar. Para isso, usou apenas uma lente de aumento e o vidro do próprio relógio. Depois, mirou a gambiarra para observar a palavra-chave que era digitada por soldados. Ele também escapou com vida de um “aperto” ao conter um vazamento químico com chocolate. Todos estes inventos tinham base científica e, de certa forma, representavam a vitória da inteligência sobre a força.
No artigo que li, diz que Richard Dean Anderson não conseguiu repetir o sucesso de seu personagem nos trabalhos posteriores. Hoje ele se dedica à filantropia e tem na defesa da vida marinha seu principal foco. Fiquei me perguntando o que MacGyver teria feito, por exemplo, diante dos gigantescos derramamentos de óleo que enegreceram a costa brasileira no fim do ano passado. Que instrumentos ele teria usado para evitar o vazamento ou mesmo para remover o combustível que cobriu o corpo de aves e peixes?
Particularmente, ficaria feliz se o personagem existisse de fato e pudesse ser escalado para evitar a eclosão de mais uma guerra no Oriente Médio. Neste momento, Estados Unidos e Irã ameaçam arrastar várias nações para um conflito de dimensões imprevisíveis. No mínimo, os efeitos chegarão aos brasileiros através do aumento do preço dos combustíveis. Aposto que o MacGyver conseguiria fazer o meu carro andar sem gasolina.

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