Foto; reprodução internet

Já ouvi muita gente dizendo que a “ocasião faz o ladrão”. Ou seja, basta uma oportunidade para virar criminoso. Por que não roubar se estou sozinho dentro de uma sala com muito dinheiro e ninguém vai perceber que coloquei no bolso algumas cédulas de R$ 200,00? Todos, em algum momento da vida, serão testados em sua honestidade, mas a chance de resistir à tentação – teoricamente – é maior entre aqueles que possuem sólida formação moral e, por que não, religiosa.
É por isso que ficamos particularmente surpresos e incomodados quando o noticiário mostra o envolvimento de agentes de segurança, por exemplo, em qualquer tipo de falcatrua. Desde crianças, aprendemos que policiais são “titios” que arriscam suas vidas para defender as nossas. Em casa, fui educado a reverenciá-los, com atitudes de respeito e cordialidade. O mesmo valia para professores, pastores e padres. Seu conhecimento e retidão exigiam a máxima consideração. Bons tempos em que se acreditava que as pessoas eram sempre boas ou ruins e que se podia distinguir umas das outras.

Assim como muitas redações de jornais estão cheias de manipuladores e, nos órgãos públicos, há corruptos drenando o dinheiro da Saúde e da Educação, temos cada vez mais policiais liderando quadrilhas ou ingressado nas fileiras das milícias e dos esquadrões da morte. Nos templos, sejam evangélicos, espíritas ou católicos, a exploração da fé e os crimes sexuais são pautas frequentes.

Semana passada, um sacerdote foi preso pela Brigada Militar de Passo Fundo, na região Norte do Estado, por suspeita de assaltar ao menos três estabelecimentos comerciais da cidade. Segundo a polícia, os roubos aconteceram em dois mercados e uma farmácia. Após as buscas, o homem foi localizado e identificado como padre Elizeu Moreira, que atua em Tapejara, na Diocese de Passo Fundo, e é natural de Ciríaco.

Com o religioso, a polícia encontrou uma pistola falsa e uma mochila com um boné vermelho, utilizados nos roubos, além de R$ 655,00 em dinheiro, produtos alimentícios e de higiene. Elizeu recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Polícia. O veículo usado nos crimes pertence à Diocese de Passo Fundo.
A advogada do padre informou que ele faz uso, desde o ano passado, de medicamentos psiquiátricos. Nas semanas anteriores, teria interrompido, voluntariamente, o tratamento, o que, segundo a defensora, influenciou para que tivesse um surto psicótico. Elizeu foi ordenado em agosto de 2019. Não havia registro de antecedentes criminais. Ele está afastado de suas funções.

Quando episódios assim são registrados, é natural que haja certa comoção e pesar, ainda que estejam se tornando muito mais comuns do que deveriam. Fica a impressão de que não podemos confiar em mais ninguém. Especialmente agora, que todos estão física e psicologicamente fragilizados, a fé assume um papel fundamental na sobrevivência. Quando um pastor, padre ou qualquer outro líder espiritual cruzam a linha da honestidade, ainda que por falta de autocontrole, sobra a amarga sensação de que tudo está perdido.

Resta-nos olhar para o outro lado e identificar os bons exemplos. Para aquelas pessoas que não se deixaram seduzir pela oportunidade de ganhar dinheiro sem trabalhar, que ajudam aos outros de forma voluntária, sem esperar retribuição. Elas estão por toda parte, em número maior, mas são silenciosas, rejeitam os holofotes porque lhes basta fazer o bem. Têm valor e não preço!

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