A gestão do trânsito de uma cidade não pode ser feita com base em achismos e impressões pessoais. Instalar e suprimir redutores de velocidade ou sinaleiras, modificar a sinalização ou o fluxo de uma rua deve ser fruto de um estudo que leve em conta vários fatores, mas principalmente a fluidez e a segurança de quem usa as vias públicas. Obviamente, é preciso pensar em motoristas de carros, ciclistas, pedestres e usuários do transporte coletivo antes de agir. É por isso que o prefeito em exercício, Cristiano Braatz, encaminhou um pedido ao Departamento de Trânsito e ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito para fazerem um estudo de viabilidade sobre a volta da mão dupla nas ruas Capitão Cruz e Capitão Porfírio. Ele está convencido de que a medida é viável e necessária, mas corretamente deixou a decisão para quem entende do assunto. Nem sempre foi assim.

Maior fluidez – A mão única nas principais ruas do Centro foi adotada no governo do ex-prefeito Percival de Oliveira, a partir de um diagnóstico sobre o trânsito da cidade que resultou num plano de mobilidade urbana. Desde o início, a medida enfrentou a resistência de muitos motoristas e também de alguns comerciantes. É natural, já que, desde então, para chegar a determinados estabelecimentos, é preciso dirigir um pouco mais. Por outro lado, praticamente acabaram os atropelamentos de pedestres e as pequenas colisões provocadas pela saturação das vias. A fluidez aumentou muito e só não é maior ainda porque não há sincronia entre as sinaleiras.

Equívoco – As autoridades não podem tomar decisões desse nível com base na reclamação de apenas um grupo. É preciso avaliar o todo. Para quem não lembra, os comerciantes – e grande parte dos motoristas – também eram contra a cobrança de estacionamento, alegando que ela espantava a clientela, e ajudaram a boicotá-lo até que a Faixa Nobre foi extinta. Estavam errados e agora clamam pelo seu retorno. Se arrependimento matasse…

Travessia perigosa – A volta da mão dupla na Capitão Cruz e na Capitão Porfírio talvez até seja viável se for considerada só a largura de ambas as ruas. Porém, há particularidades que precisam ser consideradas. Na Capitão Cruz, por exemplo, passa a maior parte das linhas do transporte coletivo urbano. O usuário, que já tem dificuldade de atravessar a rua hoje, enfrentará um risco ainda maior se os carros vierem em dois sentidos.

Oblíquo – Já na Capitão Porfírio, é preciso considerar que, na extremidade superior, o fluxo é muito intenso pela existência, na mesma quadra, da Fundarte, do Sesc, do Senac, do supermercado Imec, de uma creche e da garagem da Viação Montenegro. Além disso, na quadra entre a Santos Dumont e a Osvaldo Aranha, o estacionamento é oblíquo no lado esquerdo da rua. Certamente terá de ser abolido. Na outra ponta, a saturação se dá pela localização, na esquina, do Colégio Sinodal e seu intenso trânsito de carros, motos e bicicletas usados por alunos, pais e professores.

E os ciclistas? – Ao invés de “esculhambar” o que funciona bem, as autoridades deveriam retomar a discussão sobre o espaço para os ciclistas. Desde que o ex-prefeito Paulo Azeredo plantou uma ciclovia bem no meio da rua Capitão Cruz e foi cassado por isso, nunca mais se fez um debate sobre o assunto. Tanto a Capitão Cruz quanto a Capitão Porfírio, por serem largas, comportam uma faixa para as bicicletas.

Ainda é tempo – Aliás, o prefeito em exercício, Cristiano Braatz, que é um ciclista “juramentado”, poderia aproveitar estes últimos dias no poder para desengavetar o projeto das ciclovias.

Prioridades – Sobre o trânsito, também é preciso considerar que seguem pendentes outras duas questões fundamentais: a volta da cobrança pelas vagas de estacionamento e a entrega da fiscalização à Guarda Municipal. A Administração investiria melhor seus esforços na regulamentação destes dois serviços do que em mudanças de fluxos que atendem a interesses restritos. Questão de prioridade.

Empresário cobra maior agilidade
Desde que assumiu a presidência da Associação Comercial, Industria e de Serviços de Montenegro/Pareci Novo, o empresário Karl Heinz Kindel tem feito um acompanhamento crítico da gestão do prefeito Kadu Müller. A entidade até já doou vassouras à Administração Municipal, na esperança de ver a cidade melhor cuidada. Agora, num informativo publicado pela organização, Kindel voltou à carga e fez uma cobrança sutil ao Executivo.

Mais ação – O dirigente empresarial reafirma a parceria da ACI com o governo. Porém, deixa claro que isso tem um preço. “…é preciso fazer o enfrentamento das questões que estão sobre a mesa no tocante às contas públicas, à infraestrutura da cidade e a tantas outras coisas em que não temos percebido nenhuma evolução”, espeta Kindel.

Rapidinhas
* Depois das especulações iniciais de praxe, ao que tudo indica, a nova mesa diretora não irá mexer nos cargos de confiança do Legislativo. Quem está dentro fica e ninguém mais entra.

* Começaram as obras de construção dos novos banheiros do Parque Centenário. Ainda há muita coisa lá para arrumar, mas a visão dos operários trabalhando dá uma esperança a quem curte o espaço e espera vê-lo usado em sua plenitude.

* Ao permitir que o salário do filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, triplique no Banco do Brasil, o novo governo dá um tiro no pé. Foi justamente contra esse tipo de favorecimento que muita gente votou em Bolsonaro.

* Antes de retomar a discussão sobre uma lei para proibir a venda de fogos barulhentos e rojões, vereador Talis Ferreira (PR) abriu enquete no Facebook. Mais de 800 pessoas já se manifestaram.

* A partir de março, Montenegro terá Feira Livre uma vez por semana, na rua Dr. Flores, ao lado da Câmara de Vereadores. Produtores rurais poderão vender seus artigos diretamente aos consumidores.

Discreto e respeitoso
A passagem de Cristiano Braatz (MDB) pelo comando do Executivo termina amanhã, com saldo positivo para ele e para o prefeito Kadu. Por dez dias, Braatz teve uma atuação discreta e respeitosa, mantendo as rotinas do governo. Também fez anúncios que até poderiam ter sido feitos antes, mas foram deixados propositalmente para este período como uma demonstração de cortesia, como a climatização da Escola Tio Riba e da Casa do Produtor Rural. Se a meta era iniciar um novo tipo de relação entre Executivo e Legislativo, os primeiros passos foram dados com sucesso.

Apoio garantido
Presidente interino da Câmara, Juarez Vieira da Silva recebeu a visita de seu colega de partido, o deputado estadual eleito Elizandro Sabino, do PTB. Com atuação voltada a questões do trabalho, infância e juventude, o novo parlamentar colocou seu gabinete à disposição do vereador. Sabino também foi secretário de Infraestrutura de Porto Alegre.

Será que agora vai?
O prefeito em exercício, Cristiano Braatz, reacendeu as esperanças dos defensores dos animais. Ele anunciou a retomada das castrações de cães e gatos. Por conta da tramitação burocrática, a expectativa é que saia ao longo desse semestre. A reivindicação é antiga, mas a diferença agora é que, se não for colocada em prática, Cristiano estará na Câmara para, como vereador, cobrar a ação da Prefeitura.

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