Pastores evangélicos podem ou não podem participar da composição dos conselhos municipais? Esta pergunta vem despertando acalorados – mas rasos – debates nas redes sociais desde a última semana. O motivo é um conjunto de projetos de lei que pretende incluir um representante do Conselho de Pastores Evangélicos de Montenegro, o Copem, em sete destes órgãos de aconselhamento. Os chamados defensores do Estado laico – a total separação da igreja e da estrutura governamental – entendem que se trata de um erro. Outros até concordam com a medida, desde que seja estendida a mesma oportunidade a católicos, budistas, espíritas e aos representantes das religiões de matriz africana. A gritaria é tão grande que alguns vereadores, claramente favoráveis à medida, já não demonstram a mesma convicção.

Aconselhamento – É claro que o assunto é importante, mas está longe de ser a “guerra santa” que algumas pessoas parecem dispostas a fomentar. Primeiro, porque os conselhos, como o próprio nome indica, são estruturas de aconselhamento e todas as suas decisões precisam ser ratificadas pelo Executivo. Segundo porque todos eles possuem, pelo menos, dez membros. Dificilmente a vontade de um líder evangélico prevalecerá se não vier revestida de lógica e bom senso. Considerá-los “perigosos” seria colocar em dúvida a capacidade dos diversos outros componentes.

Ajuda – Segundo a Administração Municipal, a maioria das igrejas representadas pelo conselho dos pastores possui projetos de grande alcance social, voltados, por exemplo, ao enfrentamento às drogas e à promoção da vida. Seus líderes se colocaram à disposição do governo para colaborar. Se tivessem encontrado a porta fechada, a crítica seria ainda maior.

Ausentes – Também não se pode esquecer que alguns conselhos enfrentam grandes dificuldades de quórum porque seus membros aceitam o convite para participar e depois não comparecem aos encontros. Um deles é o dos Povos de Terreiro, que congrega justamente as religiões de matriz africana. Está inativo desde 2018.

Formato – A Administração talvez tenha cometido um erro de formato. Ao invés de oferecer espaço ao conselho de pastores, poderia ter nomeado representantes dos programas sociais que as igrejas desenvolvem. Não haveria polêmica.

Voto evangelico – Os adversários do prefeito Kadu Müller enxergam aí uma tentativa de atrair o voto dos evangélicos. Talvez até seja, mas devem tomar cuidado com a forma como reclamam. Não podem usar o argumento do Estado laico para a política municipal e apoiar a presença de lideranças evangélicas no ministério do presidente Bolsonaro, onde, inclusive, têm poderes sobre o destino de bilhões de Reais. Aliás, se a participação de pastores em conselhos é um problema ante à necessidade de separar totalmente a Igreja e o Estado, os crucifixos na parede dos órgãos públicos também não são? Devagar com o andor, pois o santo é de barro.

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Cortes de luz
Além dos transtornos tradicionais, a enchente sempre traz consigo efeitos colaterais quase tão graves quanto a própria inundação. Um deles é o corte da energia elétrica, mergulhando ruas inteiras, até mesmo onde a água não chega, na mais absoluta escuridão. Isso ocorre porque, em algumas moradias, os “contadores” estão fixados nas paredes numa altura que a cheia alcança, o que pode resultar em acidentes fatais. Sexta-feira, no Facebook, o vereador Talis Ferreira (Progressistas) cobrou providências da RGE e conquistou centenas de curtidas e compartilhamentos.

Mapa – Este assunto já foi debatido várias vezes na Câmara de Vereadores e, por falta de acompanhamento e pressão de suas excelências, parece que a concessionária não cumpriu as promessas de solução. A última reunião ocorreu em fevereiro de 2017, por iniciativa de Cristiano Braatz (MDB), quando integrantes da Administração, do Legislativo e lideranças comunitárias decidiram mapear as ruas onde há contadores muito próximos do solo. Com essas informações, que chegaram a ser repassadas à RGE, cada caso seria avaliado para a adoção das medidas mais adequadas.

Esquecido – Como não ocorreram grandes enchentes na cidade nos últimos três anos e alguns vereadores andaram muito ocupados tentando cassar o prefeito com “outras pautas”, o assunto foi negligenciado. Quem perde é a população. Nas áreas atingidas, em meio à água e num inverno rigoroso, não tem aquecedor e nem banho quente e a comida estraga nas geladeiras. As principais vítimas são os idosos.

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Coordenação
A dupla Gustavo Zanatta e Cristiano Braatz não é apenas a única chapa de pré-candidatos já definida para a Prefeitura, mas também a primeira que escolheu seu futuro coordenador de campanha. A tarefa caberá ao atual assessor de comunicação da Câmara, Sílvio Kael (foto). Com formação acadêmica em Marketing, ele deve se afastar do trabalho legislativo para comandar a busca pelos votos.

Fundo partidário
A executiva do Progressistas em Montenegro tomou uma decisão importante: não fará uso de recursos do Fundo Eleitoral na disputa pela Prefeitura e pela Câmara de Vereadores. A verba, usada para financiar as campanhas, é basicamente oriunda dos impostos e, na opinião do presidente Ronaldo Buss, deve ser destinada a ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e suas consequências.

Sensibilidade – Buss explica que a decisão foi unânime e recomenda que os futuros candidatos arquem sozinhos com as despesas de campanha. Até porque “derramar fortunas” na corrida, neste momento em que a população enfrenta tantos problemas e privações, seria falta de sensibilidade, algo incompatível com os cargos que estarão em disputa.

Bonecos
Alguns pré-candidatos a prefeito e a vereador já estão investindo na contratação de assessorias para administrarem seus perfis nas redes sociais. Numa campanha curta, estão certos de que Facebook, Instagram e Whats app serão ferramentas muito importantes de interação com o eleitor. O que se tem visto, na maioria dos casos, são imagens posadas para ilustrar mensagens de autoelogio e “aulinhas” sobre Democracia. Maquiagens perfeitas, cabelos alinhados e roupas bem passadas transformam nossos pré-candidatos em réplicas inperfeitas de bonecos como o Ken e a Barbie.

Merecimento – Se a meta é convencer o eleitor de que o futuro vereador ou prefeito estará ao seu lado, melhor usar outras imagens. Talvez de trabalhos voluntários e participação em campanhas, de reuniões de associações comunitárias, igrejas, escolas e sindicatos. Até fotos com a família e amigos num bar tornam o político mais real “humano”. Para ser eleito, é preciso MERECER.

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Rapidinhas
Demorou, mas a comissão encarregada do processo de Impeachment do prefeito decidiu arquivar a denúncia. Com o prazo estourado e sem sombra de provas do suposto pagamento de propina, era o caminho natural. A decisão fortalece os processos judiciais que o prefeito e seus assessores ajuizaram contra a autora das acusações.

O chefe de gabinete do prefeito, Rafael Riffel, não pretende concorrer a prefeito de Pareci Novo este ano. Ele governou a cidade vizinha de 2013 a 2016 e vinha sendo apontado como pré-candidato novamente.

A sessão da Câmara de Vereadores marcada para a última quinta-feira foi cancelada em virtude da enchente. Suas excelências devem voltar a se reunir esta semana, mas ainda com o plenário vazio. Haverá transmissão ao vivo pelo Youtube e pelo Facebook.

A ignorância é uma tragédia. No Facebook, algumas pessoas estão criticando o prefeito por ter decretado “situação de emergência” em virtude das enchentes, alegando que a Administração nada fez por elas. Talvez não saibam que este decreto abre a possibilidade para, mais adiante, os atingidos sacarem o FGTS para compensar os prejuízos das cheias.

Candidatos a prefeito e a vereador visitando famílias com deficientes e oferecendo ajuda em troca de votos já é exploração, mas sempre pode piorar. Nos últimos dias, alguns políticos começaram a postar as imagens, uma exposição desumana.

Aliás, nessas visitas, seria bom se todos, pelo menos, usassem máscaras contra a Covid-19.

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