Ele já disse que o Brasil é um exemplo de preservação ambiental, que não existe fome no país, que o Nazismo alemão foi um movimento de esquerda e que a Ditadura Militar (1964-1985) não matou e nem perseguiu seus opositores. Também chamou nordestinos de “paraíbas”, fez piadas com mulheres, negros, índios e até japoneses. E pretende nomear o próprio filho embaixador nos Estados Unidos, mesmo que o Junior mal e porcamente saiba dizer “the book is on the table”. O presidente Jair Bolsonaro nunca foi tão… Bolsonaro quanto nas últimas semanas.
O que chama a atenção, neste momento, não é a verborragia de sua excelência, mas a estranheza que ela parece provocar em alguns setores. Todos sabiam de quem se tratava quando ele se lançou na corrida à presidência. Por muitos anos, suas ideias esdrúxulas e atrasadas foram motivo de piada. JB era uma espécie de “bobo da corte”, aquele sujeito que fala muito, mas, potencialmente, não oferece maiores riscos. Contudo, uma grande parcela dos brasileiros se identificou com suas ideias e resolveu confiar seu voto a ele. Para outros, o “mito” surgiu como a melhor opção aos governos corruptos do PT. Enfim, ele ganhou.
Encerrada a votação, esperava-se que o novo presidente vestisse a fatiota do estadista e incorporasse os melhores valores do povo brasileiro, entre eles, a solidariedade. Ao invés disso, Bolsonaro continuou sendo apenas… Bolsonaro. E não tem problemas com isso. Em pelo menos duas oportunidades, o capitão já disse que não faz “tipo”, que é “assim mesmo” e azar de quem não gosta. Simples e direto como… Bolsonaro. Tem quem goste, assim como há maridos e esposas que toleram as puladas de cerca dos cônjuges ou acham que “só um tapinha não dói”. Outros não!
Em tese, quando eleito para o cargo mais alto da República, o sujeito deixa de ser ele próprio para se tornar uma representação do seu país. Ok, faz tempo que merecemos símbolos melhores, mas nada se pode em relação ao passado. Só aprender com ele. O que Jair Bolsonaro está fazendo agora é o que importa neste momento. E quando o presidente diz que todas as apurações feitas por comissões que investigaram os crimes ocorridos na Ditadura não passam de balela, com certeza, muitos brasileiros não se sentem representados. É como o sujeito que, ao invés de manter as unhas longe de uma ferida em cicatrização, faz questão de arrancar a “casca”. Pra quê?
Aliás, ao atacar o presidente da OAB do Rio de Janeiro, chamando o pai deste de traidor, sugerindo que ele foi justiçado por colegas subversivos – o que contraria os documentos oficiais do caso, Bolsonaro foi perverso. Ainda que fosse verdade, que culpa teve o advogado se, na época, era apenas uma criança? O que você faria se alguém maculasse a imagem do seu pai, já falecido?
De qualquer forma, nós vivemos num sistema democrático e a maioria escolheu esta pessoa para dirigir o país, fortalecer a economia, reduzir o desemprego, atrair investimentos e até mesmo fazer as reformas estruturais. É o cumprimento destas metas que deve mobilizar os esforços do governo e a vigilância da população. As manifestações inconvenientes do presidente, enfim, talvez não sejam totalmente inúteis. Pelo menos para a Língua Portuguesa. Um dia, ainda vamos ver o nome dele transformado em adjetivo e pais repreenderão um filho que não sabe se comportar com o alerta: “não seja tão Bolsonaro”.

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