Continua gerando discussões e muitas curtidas nas redes sociais um vídeo em que um torcedor do Peñarol aparece sendo espancado na Zona Sul do Rio, durante uma briga com flamenguistas. Caído, o homem é agredido por vários brasileiros, enquanto um policial militar, do outro lado da rua, apenas observa.
Os agressores dão chutes, socos e usam objetos como paus e até uma cadeira para bater no uruguaio, que tenta se proteger, deitado no asfalto. A selvageria só acaba quando outro policial se aproxima, de arma em punho, e ameaça a turba insandecida. O torcedor levanta e entra rapidamente no ônibus, que o leva, junto com seus patrícios, de volta ao Uruguai.
A atitude do primeiro PM o levou imediatamente para os tribunais da opinião pública na internet, onde foi sumariamente julgado e condenado por omissão. Mereceu, é verdade! O problema é o coro, com milhares de vozes, sugerindo que este é o comportamento típico da Polícia, que os agentes são corruptos, preguiçosos e até assassinos. Enfim, aqueles que são pagos para defender a sociedade estariam se descuidando do seu papel e se tornando bandidos.
Vamos com calma! No Jornalismo, a gente costuma dizer que quando uma pessoa é mordida por um cachorro, não temos notícia, pois esse é o comportamento que se espera dos cães quando se sentem ameaçados. Já se, num acesso de fúria, um cidadão morder um cusco, aí, sim, renderá manchete. Porque é inusitado, diferente, sai do lugar comum.
A figura de linguagem serve para mostrar porque o caso do PM de São Paulo provocou tamanha repercussão. O agente fardado estava ali para proteger os torcedores e não o fez, sequer tentou, quebrando expectativas e dando ao episódio a dimensão que assumiu. Contudo, isso não justifica as generalizações que se seguiram aos xingamentos. Aquele PM, cujo nome não foi divulgado, teve um comportamento que merece repúdio. Os demais policiais, não.
A maioria talvez nem saiba que, na última década, cerca de 5 mil agentes civis e militares foram mortos no Brasil. São em torno de 500 por ano. Muitos tombaram em tiroteios com quadrilhas de traficantes e assaltantes, mas também houve casos de execução pelo simples fato de representarem uma ameaça ao “patrão” da boca de fumo do bairro ou vila onde moravam. De acordo com as estatísticas do governo, pelo menos 15% morreram fora do horário do trabalho, reagindo à ação de criminosos para salvar a vida e o patrimônio de terceiros. Aconteceu na Coxilha Velha, há poucos dias.
A mídia, em geral, tem dado uma grande divulgação à morte de policiais, mas estas tragédias raramente “empolgam” tanto quanto o caso do PM que viu um torcedor apanhando e não interferiu. A Polícia existe para proteger o cidadão e, como em qualquer outra profissão, existem as maçãs podres, que precisam ser removidas para não contaminar todo o cesto. Na hora de criticar a atitude de um PM, devemos nos ater àquele sujeito e suas ações. Julgar o todo pela parte só produz distorções. E injustiças.

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