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A pandemia do novo coronavírus decretou a morte de milhares de negócios ao longo do último ano. Empresas da área de entretenimento, particularmente castigadas pelas medidas de restrição ao convívio social, foram as principais vítimas. Impossível calcular quantas festas de casamento, batizados, bodas de ouro, 15 anos e formaturas deixaram de ser realizadas. Outro segmento que apanhou fortemente foi o de bares e restaurantes. Muitos foram a nocaute e tiveram de fechar as portas porque a diminuição do número de frequentadores encolheu as receitas a ponto de não serem suficientes para bancar as despesas.

Ao mesmo tempo em que milhares de portas foram cerradas, porém, outras se mantiveram abertas graças à parceria e ao apego da clientela. Um belo exemplo vem da Filadélfia, nos Estados Unidos, mas certamente há outros por aqui mesmo. O Franny Lou’s Porch, um café sustentável aberto em abril de 2015, viu seu movimento cair drasticamente com a chegada da Covid-19. Até então, a empresa servia a cerca de 700 pessoas por dia. O medo do contágio derrubou esse número para apenas 50. Sem dinheiro para pagar os funcionários e as contas, os proprietários resolveram pedir ajuda.

Na tentativa de manter seu pequeno negócio ativo, os donos fizeram uma vaquinha online para arrecadar fundos. A meta inicial era a de obter 53 mil dólares (em torno de R$ 260 mil) em duas semanas, porém a adesão resultou em mais de 60 mil dólares (R$ 300 mil). Graças a esse apoio, os proprietários puderam seguir em frente e manter suas vendas. De quebra, descobriram que sua conexão com a comunidade é muito mais forte do que imaginavam. Quando perguntaram a eles o que teria motivado o sucesso da iniciativa, a resposta foi simples e direta: “Mantenha a cabeça erguida. Seja flexível.

Confie em sua comunidade, faça ajustes em seus negócios para garantir que todos do seu bairro e vizinhos sejam bem atendidos e para que eles também gostem de você”.

A lição é velha, mas nem todos a compreendem. A palavra-chave nestes momentos difíceis é “humildade”. Para reconhecer que não somos autossuficientes e que, às vezes, é preciso solicitar ajuda. Na contramão, há os que preferem simplesmente encerrar as atividades e colocar a culpa na crise e na Covid, só para não “dar o gosto” de pedir socorro. É o orgulho, esta lâmina mortal, que decapita boas ideias e negócios promissores.

Obviamente, este apoio é fruto de uma relação de amizade e de satisfação pessoal. O consumidor atenderá ao chamado das empresas que fazem diferença em sua vida. E isso ocorre, principalmente, quando é bem atendido, quando os funcionários são simpáticos e atenciosos e os produtos têm qualidade e preço justo. As chances de um socorro também aumentam quando eventuais atrasos nos pagamentos, motivados por boas razões, não são punidos com juros e multas. Também aí, a semeadura vem antes da colheita.

Quando li a história do Franny Lou’s Porch, fiquei me perguntando quantas empresas, das quais sou cliente, teriam a minha contribuição caso fosse chamado a participar de uma “vaquinha” para impedir que fechassem as portas. Acredito que contribuiria com não mais do que três ou quatro, onde me sinto “em casa”. Sugiro que os donos dos empreendimentos também façam esta reflexão.

Não tem nada de errado em recorrer aos outros em caso de necessidade. Não existe demérito em tentar manter as operações e os empregos dos funcionários, mas o sucesso depende de uma relação de mão dupla. Só funciona quando quem compra está tão feliz e satisfeito quanto aquele que vende. Mais do que isso: é preciso ser essencial.

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