Já gostei muito de futebol – de torcer, é claro – mas à medida que a idade tempera as paixões, passei a ver nesse “esporte do povo” muito mais uma manifestação de histeria coletiva do que uma forma sadia de lazer. Sempre ocorreram brigas dentro e fora de campo, com bola rolando, nas arquibancadas, antes, durante e depois das partidas, mas confesso que a estupidez, antes até divertida, hoje provoca enfado e… pena. Sim, porque os ignorantes merecem somente isso: pena.
Perdoem-me, gremistas e colorados, mas o episódio em que torcedores empurraram uma mulher e arrancaram uma camiseta das mãos do seu filho, após o Grenal de sábado passado, reforça minhas convicções. Segundo testemunhas, momentos antes da agressão, a vítima foi até a lateral do campo, onde o menino recebeu a camiseta do meia-atacante gremista Luan de presente. Com o troféu em mãos, mãe e filho subiram até uma área destinada aos colorados e, numa atitude provocadora, ela agitou a camisa tricolor, como se estivesse comemorando um gol. O resto todos sabem.
Obviamente que a agressão, incluindo o confisco da camiseta por um grupo de colorados, não se justifica no campo do bom senso. Assim como o comportamento da agredida, que estava “atrás da defesa adversária”, portanto “impedida”. Todos erraram e quem perdeu foi a sociedade, por testemunhar, mais uma vez, cenas de selvageria explícita, lamentavelmente, envolvendo e colocando em risco a segurança de uma criança.
Para explicar situações assim, a Psicologia cunhou o termo “Fanatismo”, definido com um estado de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em pessoas paranóicas, cuja apaixonada adesão a uma causa pode beirar o delírio. Nesse momento, o Brasil está doente. Parece que todos têm raiva e qualquer debate, por mais amistoso que inicie, pende para o enfrentamento.
As brigas que ocorrem dentro dos estádios também estão dentro das casas, no trabalho, nas redes sociais. Esquecemos que jogadores de futebol são atletas muito bem pagos para nos divertir. Só isso. Que políticos, do vereador ao presidente da República, são nossos empregados e que defendê-los cegamente vai torná-los menos produtivos, como gatos gordos e preguiçosos, para dizer o mínimo.
Parar de torcer pelo Grêmio ou pelo Internacional, acreditem, é uma experiência libertadora. Além de não precisar me preocupar com as eternas provocações de lado a lado, sobra mais tempo para ler, assistir a filmes, passear, conversar… Infelizmente, não se pode fazer o mesmo com relação aos políticos. Mas a gente pode exigir, no mínimo, respeito. Num momento em que basta questionar uma ação do governo para ser taxado de Petralha ou criticar Lula e sua quadrilha para virar Bolsominion, emerge a certeza de que, no fundo, suas torcidas são igualmente cegas, ignorantes… fanáticas.

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