Na abertura oficial da safra de citros, diante do maior protesto já organizado pelos produtores rurais, o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Ari Arnaldo Müller, fez uma promessa ousada. Há poucos dias no cargo, garantiu que, em dois meses, a situação das estradas do interior estaria bem melhor. Até então, as chuvas, a falta de máquinas e, principalmente, a péssima gestão do setor, haviam deixado muito a desejar, a ponto de a própria colheita das frutas correr risco pela falta das mínimas condições para o escoamento. Quinta, uma semana antes do fim do prazo, o secretário e o prefeito Kadu fizeram um balanço da situação: dos 600 quilômetros de vias públicas na zona rural, pelo menos 500 receberam algum tipo de manutenção. Para eles, a promessa está cumprida.

Intervenções
Ignorar as melhorias seria uma demonstração de má vontade. Realmente, a maioria das localidades recebeu algum tipo de intervenção, como patrolamento, abertura de valetas, manutenção de pontilhões, colocação de saibro e brita. Dizer que as estradas estão boas, porém, é exagero. Para isso, seria preciso que TODAS as ruas recebessem TODAS estas intervenções ao mesmo tempo. Naquelas em que só ocorreu patrolamento, basta uma chuva leve para os buracos ressurgirem alegremente.

Obrigado, São Pedro!
Entre os materiais adquiridos, Ari lista 108 cargas de saibro (1.080m³) e 160 cargas de brita, rachão e pó de brita (1.625m³). A Prefeitura hoje também tem mais máquinas e caminhões em atividade, o que faz grande diferença. E, verdade seja dita, São Pedro ajudou muuuuuito. Apesar de estarmos em pleno inverno, as chuvas nestes quase 60 dias foram poucas, inclusive, contrariando as previsões iniciais.

Aptidão
Oriundo do PDT e duramente criticado ao ingressar no Progressistas e no governo, Ari Müller tem demonstrado aptidão para o cargo. Claro que uma demão de verniz viria bem. É que ele costuma dizer, sem muita cerimônia, aquilo que as pessoas nem sempre estão dispostas a ouvir. E, às vezes, com… ênfase.

Juntos
O secretário Ari Müller admite que ainda há muito a fazer. Assim que a Primavera chegar, em setembro, deve lançar um programa que prevê a realização de grandes mutirões para percorrer as comunidades. Quem sabe, em seis meses de calor e muito sol, os agricultores finalmente serão atendidos como merecem. E, um dia, talvez alguém caia na real e comece a investir em asfaltamentos no interior.

Leal até o fim
Causou consternação no cenário político montenegrino a morte do ex-secretário municipal de Viação e Serviços Urbanos, Ricardo Endres, o Mano, na madrugada de sábado (veja matéria na página 6). Com raízes no antigo PDS, mas presidindo o PSB até o mês passado, foi um dos principais defensores de Luiz Américo Aldana durante e depois do processo de Impeachment. Poucos dias antes da morte, em conversa com este colunista, ainda repetiu que o ex-prefeito é inocente das fraudes pelas quais perdeu o mandato. Uma manifestação de lealdade incomum neste momento da política brasileira, que deixará saudades.

Um alerta aos partidos políticos
Não são apenas os adversários que vão dificultar a vida dos candidatos a prefeito e a vereador nas eleições do ano que vem. O grande obstáculo será convencer as pessoas de que devem ir às urnas para exercer o seu dever de cidadãos. Historicamente, a soma dos votos brancos e nulos com as abstenções equivale a cerca de 30% do eleitorado e, para 2020, a perda pode ser ainda maior. Apesar de todo o esforço que vem sendo feito há anos pela Justiça Eleitoral, em torno de 40% dos montenegrinos com direito a voto ainda não fizeram o recadastramento biométrico. O prazo termina em dezembro.

Cidadania – Aliás, garantir que os eleitores estejam aptos a votar deveria ser uma preocupação dos partidos políticos e dos pré-candidatos. Além de fazerem algo de útil, estariam usando o tempo que consomem nas intrigas e nas picuinhas para estimular a cidadania. Quem deseja receber votos no ano que vem deveria se assegurar de que seus futuros eleitores estarão realmente aptos a “ajudá-los”. #ficaadica

Passagens
Depois de ficarem uma semana inteira criticando o prefeito pelo aumento das passagens de ônibus, que subiram de R$ 3,50 para R$ 3,95, alguns vereadores descobriram que a “culpa” não é do Executivo. Em reunião na Câmara com a direção da Viação, souberam que o reajuste se deve ao aumento nos custos da prestação do serviço. Diante disso, suas excelências assumiram uma nova postura: buscar alternativas para reduzir o valor. Só que dificilmente vai acontecer.

Alternativas – A direção da Viação apresentou algumas sugestões:
1 – Desoneração do Imposto sobre Serviços (ISSQN), o que poderia reduzir o valor da passagem em torno de R$ 0,14. Hoje, a soma de todos os tributos equivale a 39,5% do custo;
2 – Redução das gratuidades, com o fim do Passe Livre e da passagem de graça a acompanhantes de pessoas com deficiência, por exemplo. Elas representam altíssimos 23% do custo, pois muitos usuários não pagam pelo transporte.

Faz de conta – Como o Município não abrirá mão do imposto e os vereadores jamais aprovariam um projeto que representasse perda de direitos sociais, as chances do preço da passagem cair de verdade estão praticamente zeradas. E tudo que se viu não passou de figuração.

Outra hora
A Administração Municipal retirou da Câmara o projeto de lei que alterava o plano de carreira dos servidores públicos, com vistas a estancar as despesas com pessoal. De acordo com o prefeito Kadu, as modificações propostas agora garantiriam uma economia de até R$ 48 mil por mês, mas como existe uma CPI sobre o tema no Legislativo, o melhor é esperar a conclusão deste trabalho. Dependendo dos resultados, poderão ser feitas até modificações mais profundas do que as propostas neste momento.

Felizes – A decisão deixa muita gente feliz. A começar pelos CCs e servidores com funções de chefia, que teriam seus vencimentos alterados, assim como guardas municipais, cujos adicionais de periculosidade seriam revistos. Deixa felizes os vereadores, que não precisarão votar um projeto que poderia custar apoios no funcionalismo. E também o Executivo, que está de olho nestes mesmos votos.

Nem aí – Enquanto suas excelências comemoram, o contribuinte sofre. O novo plano de carreira foi implantado há 44 meses, aumentando fortemente as despesas com pessoal e reduzindo as sobras para investimentos. Os buracos nas ruas são uma prova. Mas quem se importa?

RAPIDINHAS
De um a 10, quais são as chances dos vereadores manterem o acordo formalizado antes da posse e entregarem a presidência da Câmara a Joel Kerber (Progressistas) em 2020?

Virou piada, nas redes sociais, o edital para compra de “cupinicida” (veneno para cupins) publicado pela Prefeitura na semana passada. Houve quem sugerisse a aplicação na “cara de pau” de certos políticos, mas isso seria improbidade administrativa.

Vereador Juarez Vieira da Silva (PTB) vai promover reunião na Câmara sobre a venda de bebidas para menores em bailes e festas. A total falta de fiscalização têm produzido verdadeiros absurdos.

Considerando a importância do tema e as muitas tarefas do Conselho Tutelar, talvez esteja na hora de aumentar a quantidade de conselheiros. Aparentemente, cinco não dão conta.

O vereador Valdeci Alves de Castro (PSB) levou um susto na quinta-feira: pelos sintomas, foi vítima de um pequeno AVC. Ainda em recuperação, deve seguir à risca as ordens médicas para reduzir o ritmo. Desacelera!

Depois de Iria Camargo e Chacall, o PDT recebeu mais duas adesões importantes: os comunistas Joemir Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Comerciários; e Rodrigo Corrêa, que concorreu com o símbolo da “foice e do martelo” no peito a deputado federal ano passado.

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