Cristiano elogia os servidores e reclama da burocracia

MODIFICAÇÕES implantadas no portal e transmissão das sessões facilitam comunicação com os montenegrinos

Terça-feira, dia 31 de dezembro, Cristiano Braatz (MDB) encerrou sua passagem pela presidência da Câmara. Apesar das turbulências e dos constantes enfrentamentos com o Executivo, ele avalia 2019 como um ano positivo, em que o parlamento ficou mais próximo da comunidade. Não apenas por causa dos vereadores e de suas ações, mas também pelas melhorias que foram instituídas no portal e na estrutura da Usina Maurício Cardoso, prédio que hospeda o Legislativo desde 2005.

A aproximação entre a Câmara e os montenegrinos se deu de diversas formas. No segundo semestre, as sessões semanais passaram a ser transmitidas através do portal e das redes sociais, permitindo que a população acompanhe, sem sair de casa, as discussões e as votações em plenário. “Em breve, também as reuniões propostas pelos vereadores e as audiências receberão o mesmo tratamento, com o diferencial de que haverá espaço para interatividade. A pessoa poderá fazer perguntas e opinar sobre o tema em discussão e até mesmo interagir com os convidados em tempo real”, explica Cristiano.

Ainda no campo da inclusão, o site da Câmara recebeu duas novas funcionalidades. A primeira permite alterar o layout das páginas, adaptáveis a pessoas daltônicas, aquelas que possuem dificuldade de identificar as cores. A outra é a leitura das publicações na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Basta selecionar o texto e clicar num ícone situado à direita da tela para um avatar fazer a tradução. “Esse é o primeiro passo. No futuro, também as sessões terão este diferencial, beneficiando diretamente os surdos-mudos”, reforça Cristiano.

O agora ex-presidente ainda lembra que, ao longo do ano, a Câmara sediou mais de uma centena de reuniões de interesse da comunidade, colocando os montenegrinos em contato direto com o prefeito, secretários, diretores e autoridades estaduais. “Ainda abrimos espaço para audiências públicas da Assembleia Legislativa e resgatamos o espaço cultural André Zanatta, no saguão da Câmara, com realização de diversas exposições”, enumera.

Redução de custos
Logo que assumiu, Cristiano Braatz adotou algumas ações visando a redução de custos. Desde o começo do ano, todos os documentos internos são impressos com aproveitamento da frente e do verso das folhas, para economizar papel. A substituição das torneiras dos banheiros por unidades de jato programável e a instalação de equipamentos de ar para secagem das mãos impactou na redução do uso de toalhas de papel e no consumo mais racional da água. “São medidas simples, cuja economia é difícil medir, mas que tornam a Câmara um modelo positivo para a população”, observa.

Em termos de infraestrutura, as melhorias mais importantes ocorreram na área tecnológica, com a substituição de computadores lentos e ultrapassados por unidades mais eficientes. Além disso, em dezembro, a Câmara passou a contar com um serviço de portaria, que permite controlar e identificar as pessoas que têm acesso ao prédio. Além de organizar a movimentação de visitantes, a medida torna o ambiente mais seguro para os vereadores e os funcionários do Legislativo.

“A burocracia torna tudo muito mais lento”
Logo que assumiu a presidência, há um ano, Cristiano Braatz enfrentou seu maior desafio: por dez dias, exerceu a chefia do Executivo, substituindo Kadu Müller em suas férias. Na passagem pelo Palácio Rio Branco, conseguiu “desengavetar” o projeto de cedência de uma área para a Associação Montenegrina dos Guardiões dos Animais (Amoga) instalar uma clínica para o acolhimento de cães e gatos abandonados. Por outro lado, sentiu na pele o peso da burocracia. “Foi uma excelente experiência, que me deu uma nova visão sobre o serviço público e me permitiu até mesmo rever alguns conceitos”, admite.

O “monstro” que conheceu na Prefeitura logo o “visitou” na Câmara. Aparentemente simples, a concorrência para contratação do serviço de portaria da Usina resultou num processo de quase dez meses. Tempo demais para quem costuma cobrar agilidade do prefeito. “Nossa estrutura e experiência nesta área é menor do que a do Executivo, mas precisamos admitir que a legislação burocratiza e torna muito mais lenta qualquer ação no serviço público”, reforça Cristiano.

O vereador cita outros dois exemplos para comprovar sua tese. “Levamos quase 60 dias para comprar alguns carimbos e três meses para a aquisição de uma placa colocada na sala de reuniões para homenagear a ex-funcionária Janete Zirbes”, revela. “É tão difícil que dá vontade de parar o processo e tirar o dinheiro do próprio bolso para agilizar a compra”, lamenta.

A solução do problema, acredita Cristiano, passa por uma ampla revisão das leis em todos os níveis. “Muitas vezes, o processo de compra, a documentação e os funcionários necessários custam mais do que o produto”, desabafa. “Só não é pior porque nossos servidores são muito dedicados e competentes.”

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