Todos nós já ouvimos a expressão “amor exigente”, mas poucos conhecem a sua verdadeira origem. O termo foi esculpido na década de 70, nos Estados Unidos, como resposta às inquietações de famílias cujos filhos enveredaram pelo mundo das drogas. Em geral, a sociedade é rápida ao culpar os pais e ignora que a vontade dos jovens, na maioria dos casos, tem peso muito maior do que os conselhos oferecidos pelos mais velhos. A ideia, portanto, é levar os pais a reconhecerem que não são onipotentes e que precisam vencer a culpa para verdadeiramente ajudar seus rebentos a fazerem o caminho de volta.
Embora originalmente o termo designe uma situação bem específica, ao longo dos anos, passou a ser visto como a marca de racionalidade que deve persistir nas relações, sejam elas familiares, conjugais ou de amizade. Ninguém pode dar o que não tem, ao mesmo tempo em que amar não deve ser uma via de mão única. Vale para filhos, maridos e esposas, amigos próximos, colegas de trabalho. É injusto esperar que se ame incondicionalmente. A gente pode até se revoltar contra essa idéia, mas o ser humano é assim, queiramos ou não.
Pensei a respeito quando vi que a Prefeitura construiu um totem no Parque Centenário, com letras em madeira formando a expressão “Eu amo Montenegro”. A instalação foi inaugurada no domingo, 5 de maio, dia em que a cidade completou 146 anos e pretende ser um estímulo para que a gente redescubra o lado bom de viver aqui. Simpatizo com a proposta, mas desculpa aí, prefeito… o nosso amor é exigente. E queremos que a cidade, através do Executivo e dos vereadores, retribua esse sentimento, por exemplo, devolvendo os impostos que pagamos em serviços de qualidade.
Adoramos este chão, mas ele precisa ser melhor cuidado. Buracos nas ruas e estradas, assim como calçadas e redes de esgoto quebradas, sabotam nossos sentimentos de bem-querer e deixam a amarga sensação de que não somos correspondidos.
O senhor pede que a gente ame Montenegro, mas quando saímos para passear e chegamos na beira do Rio, fica difícil. Os desmoronamentos em nosso principal cartão postal, frutos da falta de manutenção ao longo dos anos, rapidamente transformam qualquer sorriso em um misto de tristeza e raiva.
Nosso coração bate forte por Montenegro e, por isso, não consegue ignorar as interdições parciais e totais do Centenário, do Baixio e do Morro São João. Esses símbolos e espaços de lazer precisam de reparos e testam nosso afeto pela cidade.
Sabe, prefeito, a gente ama isso aqui, mas não aguenta a falta de união entre os nossos políticos, incapazes de colocar as disputas de lado para lutarem juntos por demandas como as rotatórias da RSC-287, por exemplo. É muito triste ver que boas ideias e projetos já nascem mortos só porque saíram do ventre da oposição.
Montenegro é tudo de bom. Tem gente honesta e trabalhadora, empresas de pequeno e grande porte, agricultores dedicados, estudantes inteligentes e profissionais qualificados. Todos amam esta cidade, mas ela também tem de amar o seu povo. Através do prefeito, da sua equipe e dos vereadores. Só um pouquinho.

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