Eu acordo cedo. Todos os dias. Mesmo quando posso ficar na cama até mais tarde, os primeiros raios de sol atiçam uma briga com o travesseiro que ele costuma vencer com facilidade. Assim, normalmente às 6h30min já estou no Centro, esperando a abertura da padaria para tomar café. Nas últimas semanas, tenho reparado na grande quantidade de pessoas que também abandona os cobertores com o canto do galo e vai para a academia ou para as ruas se exercitar. Homens e mulheres de diferentes idades sobem e descem a Buarque de Macedo em marcha acelerada, animados, como se estivessem indo para a roça numa manhã fresca de Primavera.

Puxando ferro, caminhando ou correndo, fazem isso porque desejam ser mais saudáveis ou simplesmente para esculpir o corpo, enfrentar a flacidez e arredondar as curvas. A Lei da Gravidade é implacável com pele e músculos. Confesso que sinto um pouco de inveja de tanta disposição. A gente deveria vir com um chip que nos fizesse entrar em movimento automaticamente, da mesma forma como sentimos fome e sono. Um brinde à geração saúde!
Por outro lado, tenho observado também que nem sempre essas atividades são ditadas pelo desejo de viver mais e melhor. Aliás, acredito que alguns desses “atletas” são movidos por problemas psicológicos graves. Esta semana, deparei-me com uma notícia curiosa na internet. A modelo e musa fitness Vanessa Ataídes, de 35 anos, malha várias horas por dia para ter o “maior bumbum do Brasil”. As nádegas da moça já medem largos 1,26 metro, mas ainda faltam 4 centímetros para alcançar seu objetivo. Ela admite que parte do… volume… é formado por próteses de silicone, mas foi no exercício físico que as medidas se consolidaram. Por que ela deseja ter a maior bunda do país? “Por que gosto de chamar a atenção”, responde.

Apesar de estar realizando seu sonho, Vanessa confessa que passou a enfrentar algumas dificuldades desde que decidiu investir na “retaguarda”. Ela tem dificuldades de encontrar roupas no tamanho adequado. Nem as calças GG servem mais. “Quando entra, fica folgado na cintura”, explica, ressaltando que, por isso, viu-se obrigada a usar mais vestidos e peças de treino, produzidas em tecidos beeeeem mais elásticos. Enfim, quem disse que ser popozuda é fácil?

Não tenho nada contra os praticantes de esportes ou os chamados ratos de academia. Ao contrário, eu os admiro. Também não vejo problema algum na vaidade moderada. Todos nós a temos em alguma medida, inclusive os homens, ao esculpirem penteados que desafiam a lei da gravidade e ao usarem roupas que parecem vestidas a vácuo. Porque Deus é justo, mas algumas calças… O problema surge quando isso se torna a força motriz das nossas vidas, quando todo o resto deixa de ter importância e o culto à aparência assume uma dimensão patológica.

O exercício físico, acompanhado de uma alimentação regrada, segundo a Ciência, aumenta a qualidade de vida e torna as pessoas mais felizes. Já os exageros tendem a produzir o efeito contrário, pela própria dificuldade em atingir as metas. Muitos até desenvolvem doenças como a Bulimia e provocam o vômito – por causa da “culpa” que sentem – ao cometerem um eventual exagero gastronômico. Não sei que vantagens pode trazer à vida de alguém ostentar a maior bunda do Brasil, mas a situação, a mim, deixa muito claro que algumas pessoas, antes de buscar as academias, deveriam recorrer a algum serviço de atendimento psicológico. Mens sana in corpore sano!

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