Toda escrita tem seus pontos. A grande maioria, um ponto final. E os finais até tem lá suas vantagens. É com o ponto que se abre a possibilidade de um novo começo. Uma nova frase. Um novo parágrafo. Um capítulo inteiro, quem sabe. Por que não um novo texto?  
Nada muito diferente da forma como a vida se apresenta. A vida precisa de pontos finais: uma situação muito enrolada, ciclos que parecem intermináveis, a fadiga, o esgotamento. Quantas vezes a vida já não “implorou” por um ponto final e acabamos colocando uma vírgula?
Maiúscula e minúscula
Os textos e a vida também vão tomando forma pelo desenvolvimento do seu conteúdo. E ele é escrito com letras maiúsculas e minúsculas. A existência humana necessita da força e da grandeza de uma letra maiúscula para começar. Porém, o conteúdo se dá naquilo que é minúsculo: mas não sem importância. É no plano do “pequeno” e “comum”que o dia a dia se carrega de sentido.
MAS, ATENÇÃO:UM TEXTO ESCRITO EM MAIÚSCULO SE TORNA AGRESSIVO, ARROGANTE, AUTORITÁRIO, IMPOSITIVO. INCÔMODO! Maiúscula, em excesso, denúncia a prepotência. Sua ausência amputa a esperança do viver.
Natal
O Natal é repleto de símbolos. O mais especial é o do nascimento. Entre tantas fábulas sobre o Natal, quero resgatar uma: a de uma criança, que nasceu em uma manjedoura para trazer esperança ao mundo. E que simbolismo carrega o “nascer”?
Uma criança é sempre uma esperança: um vir a ser. Nada está dado. Tudo por se construir. A letra desenhada no início de uma frase esperando pelo que virá. Talvez, aí, o verdadeiro sentido do Natal. Não a festa pomposa (maiúscula), que se fecha em si. E não “um dia qualquer” (minúsculo). Mas algo que inicia e precisa ser cuidado, “escrito” ao longo de todo o ano. Então, a cada novo ciclo, estará maior e mais cheio de vida.
Ao transitar pela cidade percebo o “sumiço” das luzes de Natal. Caímos no vazio de uma vida escrita em minúsculoou na autossuficiência do maiúsculo?
Meu desejo de Natal:
Que a falta de esperança não seja maior que todos os motivos para recomeçar. Que as mágoas passadas não destruam as possibilidades do futuro. Que seu Natal se inicie em maiúsculo e siga sendo escrito em cada pequena letra do texto da vida. Que se, vez ou outra, as coisas derem errado, um ponto seja apenas uma nova oportunidade. Que você se entregue “aos pontos”, mas nunca “os pontos”. Que aquele abraço, aquela visita, aquela palavra (há tanto guardados), possa (finalmente) ser “entregue”.
Meu desejo para 2019:
Que você tenha brilho nos olhos!
Paz e Bem!

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