Uma antiga fábula, atribuída ao grego Esopo (620 a.C.), trata sobre um curioso personagem. Ela conta que,certa vez, Zeus resolveu fazer um grande concurso para eleger, entre todos os pássaros, um soberano dos céus. Sua decisão foi tornada pública e, certo dia, todos os pássaros deveriam se apresentar diante Dele. Zeus, pessoalmente, iria escolher o mais belo entre os presentes. O escolhido seria proclamado o Rei dos Pássaros e, sobre todos, exerceria seu poder.
Um corvo, sabedor de sua incapacidade para vencer o concurso, em função da sua “feiura” frente ao colorido dos demais pássaros – mas guiado por sua sede de poder, resolve concorrer, utilizando-se de uma artimanha: elevoa por todos os bosques e florestas recolhendo as penas que haviam caído de outros pássaros e, uma auma, vai colando-as sobre sua plumagem.
No dia marcado, lá estavam todos, diante do poderoso Zeus. Chegada a hora da escolha, com toda a elegância, as aves desfilaram suas plumagens. O prepotente corvo,como se fosse mais belo que o mais belo dos faisões, expostoda suafalsa exuberância.
As demais aves, reconhecendo a farsa, começam a protestar diante do grande deus. Ao perceberem que Zeus faria do corvo o escolhido, tomadas de indignação, uma a uma, começam a arrancar as penas que o corvo colara sobre si. Cada uma recolhe a sua pena, deixando à vista a derradeira verdade. Assim, diante de todos,novamente, o corvo torna-se um simples corvo.
Uma fábula contada há mais de dois mil e quinhentos anos guarda ainda questões muito atuais. Traz uma interessante reflexão sobre o que não pode ser atingido pelo mérito alheio. Um mérito que, quando atingido por artimanhas, não se sustenta por muito tempo.
Vivemos tempos de grandes mudanças de vários aspectos da vida. Tempos em que as imagens tomam enorme relevância. E, cada veze mais, é por elas que a humanidade se deixa guiar.
Daí a urgência de alguns questionamentos: Que outras metáforas a fábula ainda mantém viva? Que rumos toma uma história quando passa a ser fundamentada sobrefalsas imagens? Valeria uma imagem mais do que a própria história?
Bem como conta a fábula, de nada adianta quenós (os pássaros) fiquemospiando (reclamando). Resta, a cada um,recolher suas própriaspenas (a parte que nos cabe socialmente) e darmos conta da nossa fração na construção de uma sociedade mais justa, digna e acolhedora.
Somente assim, é possível evitar que corvos (pessoas/atitudes/pensamentos) mal intencionados tomem o poder, seja por vaidade ou por sua enorme sede de poder.
Paz e bem.

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