Frequentemente, o “mais fácil” tenta tomar terreno em relação ao “aparentemente mais fácil”. Principalmente quando se apresenta com cara de “muito mais fácil”. Mau presságio.
Sempre que o “mais fácil” tenta esconder, o “aparentemente” denuncia. Aquele quer trilhar os simples atalhos, este quer percorrer o árduo caminho. O primeiro sempre encontra alguém que trabalhe em prol da sua“preguiça”. O segundo alerta, em voz sussurrada aos ouvidos da consciência, que uma dívida ficará em aberto. E que só será quitada pessoalmente.
O trabalho da alma jamais pode ser terceirizado. Da mesma forma, uma decepção. É condição de crescimento. O dragão a ser enfrentado pelo herói. E ninguém se torna herói erguendo a espada de outro.
Quando a vida se encarrega de apresentar os mais “terríveis dragões”, o “mais fácil” se apesenta. Faz uma ordinária terceirização da responsabilidade. A “atividade fim” relegada ao segundo plano. Carga lançada ao outro, exigindo-lhe atitudes para cobrir o que não se pode realizar. Assim, tmantém sua maior fraqueza escondida. Seu pior demônio oculto à sombra. Um lado obscuro que não se quer mostrar.
Me faz lembrar de um dos melhores textos que tive a oportunidade de ler:“Já escutaste teu lado B?”, de autoria do escritor montenegrino PedroStiehl. Que texto!!! Não leu? Leia! Publicado no ano de 2016, é daqueles que deve ser relido de vez em quando. Guardo uma cópia entre as minhas bagunças. Uma “releitura” da sombra Junguiana.
Sombra e lado B são conceitos gêmeos. Falam do lado obscuro do Eu, entretanto revelável. O lado não reconhecido, o segredo do “filho bastardo”, a música preterida. No entanto, sempre prestes a ser revelada.
Nesta obscuridade, é que habita o dragão. E toda ameaça escancara o medo. Ele está lá, escrito em letras garrafais, que só “repasso aquilo que não dou conta”.Reforço que a verdadeira tarefa da alma jamais será terceirizada. Ela não é do outro. Enquanto for “repassada”, vai “mastigar” por dentro. Será por “mil vezes” repetida, consumindo tudo novamente até ser assumida.
Querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, aquela música preterida vai ser tocada. O “mais fácil”, denunciado pelo “aparentemente mais fácil”.
O verdadeiro heroísmo se resume em lutar suas próprias batalhas, resolver dignamente seus próprios problemas. De forma direta, sem envolver o outro.
James Hillman adverte:“O mais perigoso de todos os erros é a simplificação”. O Pedro Stiehl ensina: “Queres ouvir o que sussurra tua alma? Ouve teu lado B!”
Paz e bem!

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