“Bird Box” é um filme americano, lançado no final de 2018, baseado no livro homônimo de Josh Malerman.
As opiniões e críticas são as mais variadas. Mesmo sendo classificado como gênero de suspense, “Bird Box” abre espaço para uma profunda reflexão. O fio condutor da trama dá-se em torno da visão. Frente a algo grandiosamente inesperado e assustador, é preciso escolher entre fechar os olhos ou mantê-los abertos.
E você, frente ao inesperado, escolheria manter os olhos abertos ou optaria por não olhar?
Esta é a questão central da trama: uma grande força externa faz com que cada um possa ver aquilo que lhe toca mais profundamente. E, posso garantir, tratando-se de reações humanas, esta coisa de “tocar profundamente”, é sempre uma “caixa de surpresas”. No entanto, cada personagem tem a opção de fechar os olhos e tentar sair “ileso”, ou mantê-los abertos e arcar com as consequências do que poderá ver.
O filme não trata apenas sobre visões: é um convite ao “olhar”.Um olhar que não se resume à visão, mas, às mais variadas formas de relação com o mundo. Uma interação que exige profundamente de todos os outros sentidos.
O que seria mais determinante: uma imagem ou o sentimento que ela produz? Será que o que sentimos é determinado pelas imagens que vemos?
No filme, há dois grupos distintos: o dos que optam por manter os olhos abertos e o dos que preferem fechar os olhos. Ambos são acionados por uma terrível força.
Porém, o primeiro grupo é tomado por ela. Fascínio e encantamento são acionados. Já abordei este tema anteriormente em um texto denominado “A sedução do preto”. Há uma espécie de arrebatamento produzido naquilo que se vê refletido na imagem: o próprio EU.
Para o grupo daqueles que têm a consciência de que não podem abrir os olhos, as coisas não se tornam mais fáceis. Mesmo não sendo arrebatados pela força desconhecida, são intensamente perturbados por ela. Por isto, precisam encontrar uma nova forma de interação com o mundo. Novas formas de relação com a consciência e com a natureza.
Do filme para a vida real, é possível traçar uma metáfora do universo vivido pelos cegos: o que é belo ou feio? E para quem, de forma inesperada (doença ou acidente) perde a visão, como se dá ainteração com o mundo sem poder vê-lo? Que emoções seriam acionadas pelos barulhos, formas e cheiros?
Perdoem-me os mais aficionados pelo cinema, mas é tarefa inglória falar de um filme sem deixar de “revelar” algumas “imagens”. Quem ainda não assistiu: não deixe de VER! Seja qual for a escolha, entre fechar ou abrir os olhos, o filme e a vida ensinam: não há como manter-se neutro.
Paz e bem!

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