Não as grandes felicidades que podem ocorrer de tempos em tempos, daquelas que marcamos com uma bolinha na nossa linha do tempo. Nem as felicidades pouco prováveis, como ganhar na loteria e ficar em êxtase por não saber por onde começar a gastar tantos zeros. Também não inclui aí as compradas, como aquela dos jogos de futebol, onde se paga o ingresso sem garantias de um placar favorável, nem de um mísero gol, pra não dizer que perdeu de zero. Falo das pequenas doses de alegria, que aliviam as pressões de hoje, e, com sorte, dão animo para aquentar o amanhã.
Estariam elas escondidas em meio à viçosa e verdejante grama do vizinho? Numa avaliação errada, podemos ser levados a acreditar que os outros possuem mais felicidade do que nós mesmos. Dizem que quando uma criança quer o brinquedo que está com a outra, ela na verdade não deseja o brinquedo em si, mas a felicidade que a outra criança está sentindo. Queremos ser tão felizes quanto acreditamos que sejam aqueles que nos rodeiam.
Mas a felicidade está por aí, nos rondando. Em maior ou menor grau; e justamente àqueles momentos de pequenas alegrias no nosso dia a dia que precisamos ter um pouco mais de atenção, para não passarem despercebidos, e com isso virar uma dose de alegria desperdiçada.
Felicidade talvez seja, no domingo livre, ser acordado pelo despertador no horário de sempre, mas, dessa vez, poder encará-lo e, com o dedo do meio em riste, desligar a campainha infernal antes de virar pro outro lado e dormir o sono dos justos. Felicidade talvez esteja no reencontro na calçada, e sentir que a saudade foi mútua. Está no cheiro de roupa nova; ou naquela roupa velha que, pasmem, ainda serve. Felicidade está no conforto dos chinelos depois de mais um dia de trabalho, ou na sensação da areia da praia, depois de um ano todo. Está no aroma do café. Está na música cantada no chuveiro, ou em qualquer lugar, sem julgamento. Está no gosto daquela torta que finalmente acertou a receita. Está na oportunidade de observar uma bela vista, mesmo durante um curto trajeto a trabalho. Felicidade está na conversa que faz rir. No elogio. No exame que não mostra nada. É estar por aí. E está por aí, a tal felicidade. Basta sentir. Sentiu?

Deixe seu comentário