Um evento tipicamente rural no meio da região metropolitana acaba atraindo toda sorte de pessoas. Então, nada melhor que uma Expointer para vermos o entrevero daqueles que, – apesar de serem todos gaúchos – de outro modo, provavelmente não ocupariam o mesmo espaço. A oportunidade de realizar um bom negócio move desde o vendedor ambulante de guarda-chuva, que diz que apelará para a dança da chuva a fim de despachar o restante do estoque, quanto o representante de máquinas e implementos.
Antes de ter a oportunidade de conversar com um cliente em potencial, os vendedores de máquinas precisam de uma dose de paciência com aqueles típicos curiosos de feira, que ficam tirando foto nos tratores, ou apenas vagando por entre os implementos e perguntando: Pra que serve isso? Já os divulgadores de restaurantes têm uma realidade diferente. Nem todos vão comprar uma colheitadeira, mas certamente irão almoçar. A disputa é quase na unha, onde se bobear, eles te puxam pra dentro e te colocam sentado, sem nem te dar tempo de inventar uma desculpa, ou perguntar o valor. O pessoal das cabanhas também não deve ter uma vida fácil durante a feira, sendo constantemente rodeados por famílias animadas, com seus filhos que ainda pensam que o leite é um tipo de suco branco que já nasce na caixinha.
No pavilhão da agricultura familiar os visitantes podem sentir o gosto da “colônia”, além de ter uma aula de geografia estadual perguntando onde ficam aqueles municípios de nomes estranhos. Na feira ainda tem pessoas vendendo artesanato, outros mostrando seus dons artísticos e assim segue esse mosaico de indivíduos. Os que só querem passear também proporcionam um desfile de etnias, feições e estilos que convida a refletir.
No meio da correria, parado entre uma barraca de chopp e um mastro, estava um senhor pilchado. Camisa e bombacha pretas, chapéu e botas marrons, e uma mala de garupa branca com detalhes sobre o ombro, vazia. Talvez fosse um habitante da fronteira contemplando a algazarra, ou apenas alguém da região que aproveita a ocasião para vestir a indumentária sem se sentir diferente. Os cabelos longos e bastante grisalhos, somados as rugas, as olheiras e as costas um tanto arqueadas, davam a extensão da idade; mas eram os olhos que chamavam a atenção, justamente por não estarem prestando atenção em nada. Tão imóveis quando o corpo, parecia que nada ali tirava o vivente de sua contemplação do vazio. Nem a banda da Marinha, tocando a alguns passos de si, mereceu um olhar sequer. Era quase uma estátua viva, sem uma caixinha para os trocados aos pés.
Velho, cansado, de preto. Sem nada na mala. Estagnado. Difícil dizer de onde veio, ou como chegou ali; muito menos para onde vai. Naquele momento, eu vi o Rio Grande do Sul no meio da Expointer.

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