E lá vem o Carnaval mais uma vez.
Falta uma semana, mas tenho a impressão de que falta um mês. Parece que a empolgação com a festa não anda lá essas coisas. Vai ver, o Carnaval está sofrendo do mesmo mal que atinge os demais feriadões do ano, como Natal e Páscoa; está se tornando apenas mais um motivo para se passar vários dias na praia. O pessoal deveria entrar na Freeway cantando “Ô abre alas, que eu quero passar”, para quem sabe aguentar a tranqueira com um pouco de bom humor.
Mas será que o Carnaval está se tornando menos atrativo?
Se pensarmos que as preferências da população mudam com o passar do tempo, podemos até aceitar que uma festa interessante há algumas décadas talvez não seja bem vista atualmente. Carnaval, no tempo das filmagens em preto e branco, era sinônimo de baile de salão, onde as famílias inteiras participavam. Depois, ganharam força os desfiles ao estilo da Sapucaí, já não tão família assim. Hoje, talvez muitos elementos típicos dessa festa sejam mal vistos, frente aos conceitos que as novas gerações carregam, e que, convenhamos, não podem simplesmente guardá-los na gaveta e sair atrás do trio. Por exemplo, o conceito de sofrimento animal tira o brilho de qualquer fantasia ornamentada com plumas e penas. O mesmo vale para as tradicionais marchinhas. Pode ocorrer de algum Zezé se sentir ofendido por estarem desconfiando de sua masculinidade apenas com base na excêntrica cabeleira. Ou ainda, condenarem qualquer fantasia étnica como apropriação cultural. Várias características que até há pouco considerávamos normais, já não agradam aqueles que deveriam herdar os confetes e serpentinas – que devem ser de material reciclado ou biodegradável, né.
Será que essa festa está fadada ao esquecimento, ou vai conseguir se reinventar?
Difícil dizer, mas vale notar que algumas mudanças podem ser observadas. Já prestaram atenção no comercial da Rede Globo sobre o tema? Desafio vocês a conseguirem ver o umbigo da musa Globeleza. Isso mesmo, o “umbigo”. Para quem estava há anos acostumado com a Valéria Valenssa sambando sobre as sandálias de salto alto e vestida com alguns centímetros quadrados de tinta, a mudança é significativa. Além disso, a musa aparece com várias fantasias, representando a diversidade cultural brasileira, mesmo quando se trata da mesma festa. Enfim, alguns podem condenar esse recato como sinal da submissão ao politicamente correto. Ou podemos interpretar como adaptação aos novos tempos. Tudo muda; ou o Carnaval se repensa, ou folião vai virar sinônimo de veranista.

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