Eu tenho nojo de política!
Quem nunca ouviu esse tipo de frase? Nessa época de eleição, o que não falta é eleitores declarando sua aversão, mas que no fundo pode ser apenas uma estratégia do tipo “a melhor defesa é o ataque”. Hostiliza a política como modo de justificar a sua falta de posição, pois geralmente eles completam declarando que votarão em branco. Alguém já disse – não lembro quem – que o pior castigo para quem não gosta de política é ser dominado pelos que gostam. Quando se vota em branco, na verdade se está dizendo que tanto faz quem entrar; e pode acreditar que vão entrar aqueles eleitos pelos que fazem valer sua opinião.
Muito se tem falado que, para forçar a realização de nova eleição, bastaria que a maioria dos votos fossem brancos ou nulos. Isso não é verdade. Tenho até a impressão de que esses boatos são criados, ou pelo menos divulgados, de modo anônimo pelos próprios partidos políticos. Acompanhe meu raciocínio. O objetivo principal de um partido é conseguir convencer o eleitor a votar no seu candidato. Como eles sabem que ele certamente não agradará a todos, então partiriam para o plano B, que consiste em sugerir que esses eleitores votem em branco. Assim, os partidos garantem que nem mesmo os seus oponentes ganhem aqueles votos. Resumindo: ou vota em mim, ou não vote em ninguém.
Para aqueles que acreditam numa espécie de lição de moral que um grande volume de votos brancos poderia gerar na consciência dos candidatos e seus partidos, sugiro serem mais realistas. Será plausível que um político cascudo, na sede de seu partido, vendo o resultado das urnas com expressiva porcentagem de votos em branco, colocaria a mão na consciência, entendendo que o eleitorado está insatisfeito com a política, e então decidiria parar com os conchavos, as propinas e os toma-lá-dá-cá? Poxa, não vamos ser infantis. Daqui a pouco vão querer votar no Papai Noel – menos os de direita, porque ele deve ser comunista, pois é barbudo, veste vermelho e distribui presentes sem critérios meritocráticos, apenas em troca de obediência.
Pra não dizer que o voto em branco é totalmente inútil, tem um pior: o voto de santinho na sarjeta. Algumas pessoas, no caminho para a sessão eleitoral, vão olhando para o chão, na esperança de encontrar um santinho de deputado. Lembre-se que aquela pessoa de sorriso amigável que encontrou no chão, a caminho da urna, pode vir a ser o responsável por muito sofrimento seu; e você vai reclamar disso, e nem vai se lembrar que ele está lá também graças a você. O voto é obrigatório, mas não somos obrigados a votar em alguém.
Algumas pessoas terão de administrar a coisa pública. Que sejam pessoas que você apóie. Se tapar de nojo depois não resolve nada.

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