Bom dia! Ou seria boa tarde? Quem sabe até um boa noite. Não sei em que momento exatamente do dia você está lendo esse texto. Nem sei em que local. Pode ser em casa, aproveitando sua assinatura. Ou no trabalho, lendo à custa do patrão. Quem sabe ainda num balcão qualquer, enquanto espera ser atendido. Minha curiosidade não está no “quando”, nem no “onde”, mas no “porquê”. O que leva você a dedicar, nesse exato momento, um pouco do seu tempo para ler justamente essa parte do jornal?
Tem tantos assuntos interessantes por essas folhas, que você poderia ignorar esse pedaço da página quatro. Talvez dar uma olhada nas reportagens sobre nossa cidade, ou da região. Quem sabe nas páginas de esporte, ou policial. Ler os resumos das novelas. Fazer as palavras cruzadas. Pesquisar promoções nos supermercados. Quantas alternativas.
O quê? Já estamos no terceiro parágrafo e você ainda insiste em ler esse texto? Só para constar, o recado no título foi bastante claro: “Não leia!” Com direito a negrito e ponto de exclamação. Mas tudo bem, talvez você já esteja acostumado a ler os cronistas que imprimem suas ideias e percepções do mundo, aqui nesse espaço. Tem esperança de que, daqui a pouco, vou falar de alguma coisa importante. Pois bem, aí vai um segredo: qualquer coisa pode virar assunto para uma crônica. Nem precisa ser importante. Um comentário casual, uma imagem, uma lembrança, um tropeço, uma Malzbier não muito gelada comprada numa festa. Os parentes e amigos até têm medo de que algo que falem ou façam acabe por parar no jornal. Em alguns casos, até falta de assunto vira assunto, como hoje. Você já deve ter notado, a essa altura. Mas pra não decepcionar você, que ainda está lendo esse texto, vou te contar uma coisa.
Cronista não é jornalista. Pelo menos não me vejo como um. Enquanto os primeiros ficam divagando por assuntos corriqueiros, os segundos vão pra rua atrás do furo de reportagem da edição de amanhã. Jornalistas apresentam fatos, cronistas opiniões. Por ser um texto mais solto, temos o que o pessoal da área chama de licença poética. Claro que, às vezes, nos passamos, como quanto trocamos o “você” pelo “tu”, mas sem corrigir a conjugação do verbo. Não temos licença para matar, o português. Perdão, não somos o James Bond.
Eu poderia falar mais sobre essas diferenças, mas acho que não tem ninguém mais lendo isso daqui. O tamanho já está bom e, daqui a pouco, o jornal vai me mandar e-mail cobrando o texto para amanhã. Vou parar de escrev

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