Quando ganhou força a migração da população das áreas rurais para as urbanas, décadas atrás, talvez fosse impossível prever que alguns conhecimentos deixariam de ser passados para as gerações vindouras. Hoje, percebemos que aqueles que nascem e crescem no asfalto, por vezes carecem de saberes que tem impacto no seu dia a dia. Por exemplo; como são produzidos os alimentos. Estamos diante de uma geração de consumidores alienados, que pensam que o leite é um refrigerante branco sem gás e que laranjas crescem no pé, tão brilhosas como as retratadas nos rótulos dos sucos industrializados.
Precisamos mudar isso ensinando de onde vem o alimento. E derrubar alguns mitos que mais atrapalham do que a ajudam. Sobre o frango, atividade onde tenho mais experiência, quero começar combatendo algumas expressões injustas repetidas sem nexo com a realidade.
Filho de chocadeira: Mesmo sendo correto afirmar que os pintos que nascem de chocadeira não têm, após nascerem, contato com a mãe, ainda assim não é justo adivinhar suas relações afetivas. Falando nisso, vamos esclarecer que o ovo que irá chocar não é o mesmo que está a venda no supermercado. É lenda urbana esse negócio de esquecer as compras no carro no olho do sol, e quando abrir, encontrar uma dúzia de pintinhos.
Tomar um frango: Aves não são dadas a esportes coletivos. Difícil entender qual a ligação entre passar vergonha por tomar um gol facilmente defensável com esses pequenos animais penosos. Se dissessem que “aquele volante corre com uma avestruz” faria mais sentido.
Soltar a franga: Mais uma ofensa gratuita. Frangos são normalmente discretos, no máximo veremos um galo cantando ao amanhecer, chamando atenção, e olha que isso pode até ser interpretado como sinal de virilidade. Em vez disso, deviam dizer que vão “soltar o pavão”. Esse sim gosta de exibir o rabo.
Frango de academia: Pra quem não sabe, não é aquele que tem as coxas quatro vezes mais grossas que aos braços; mas sim quem só vai à academia pra se exibir. Quem devia ser chamado assim são justamente os marombados que só treinam da cintura pra cima, esquecendo as pernas. Com o tempo, as canelas ficam desproporcionalmente finas em relação ao resto do corpo. Tipo um frango.
Coxinha: Por último, mas não menos importante, o frango na coxinha tá se lixando pra política. Mesmo que seu destino seja definido em grande parte pelos acordos comerciais entre nossos governantes e o resto do mundo; para ele, não muda nada se será servido ensopado no Japão ou assado no Oriente Médio.

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