– Conhece aquela piada do papagaio?
– Sim.
– Era uma vez um papagaio que… Peraí, como assim “sim”? Existem várias piadas desse tema.
– Esse seu papagaio vai se dar bem no final?
– Sim.
– Então já conheço. Eles sempre saem por cima. Quem ouviu uma, ouviu todas.
– E aquela do gaúcho que…
– Ele tem diploma da UFRGS?
– Não; na verdade é um gaudério grosso lá das grotas.
– Deixe-me adivinhar: mesmo assim, ele vai se sair bem nessa piada. Tipo o papagaio.
– Mas sei também uma do português…
– O Manuel?
– Poxa, conhece mais essa…
– Todos são Manuel, casados com a Maria, e donos de padaria.
– Esqueceu do amigo Joaquim.
-Lembre-se do sotaque dos personagens; com muitos “ora poix”.
– Estou vendo que essa também não vai te impressionar. Mas tenho uma do Joãozinho na escola que é de chorar.
– Caso trocasse o Joãozinho por um Manoelzinho, a piada ainda faria sentido?
– Não…
– Então já sei; ele dá uma ganhada pra cima da professora, não é mesmo?
– Pior que sim.
– Como sempre, o Joãozinho é o resumo da malandragem brasileira, sempre levando vantagem.
– E piada de padre, quer ouvir?
– A menos que a anedota tenha ligação com o celibato, a piada poderia ser sobre um pastor.
– Esquece a religião. Lembrei de uma onde cai o avião e sobrevive um sueco, um brasileiro e um português. Eles nadam até uma ilha deserta, onde encontram uma lâmpada…
– De LED?
– Lâmpada mágica, aí eles esfregam…
– Onde fica a ilha?
– Sei lá, no Afeganistão.
– Esse país não tem litoral.
– Então imagina um que tenha.
– Qual a profissão dos sobreviventes?
– Digamos que eram políticos a caminho de algum fórum internacional.
– Provavelmente no final da piada, o sueco só vai servir como figurante, enquanto o português se ferra e o brasileiro se dá bem, na base da malandragem.
– Mas essa é a graça.
– Isso deveria ser de chorar.
– Então conta você uma piada.
– Me faltam os trejeitos para a tarefa. Conte você, eu juro que vou rir. Pode ser aquela do papagaio mesmo.

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