Amo cartas, mesmo as virtuais. Acredito que nelas conseguimos descrever sentimentos que, muitas vezes, não temos capacidade ou oportunidade de expressar em voz alta.

Além disso, elas são um símbolo de que lembramos ou fomos lembrados. Essa é uma das coisas mais importantes sobre as cartas de amor: elas trazem consigo um pedacinho de algo que é importante para quem escreveu: o seu tempo, colocado em palavras, traduzido em linhas que expõem um coração.
Quase todas as cartas desse mundo são de amor, porque escrever uma carta a alguém é importar-se. Às vezes, escrever é despir-se, com ou sem pudor, e ficar a mercê do outro. É coisa de alma. Cartas são sentimentos embrulhados num pequeno envelope, num e-mail, numa mensagem instantânea. Custam pouco e significam muito.

Minha última carta de amor – de 2018, é claro – vai pra alguém muito especial, que está doando seu tempo para o que eu tenho a dizer. Essa carta, hoje, é para quem está lendo.

Queria te lembrar de que o amor está nos detalhes e que eles importam. Está nos olhos de quem a gente ama, no cheiro de café passado invadindo a cozinha. Está nos sorrisos que trocamos com as pessoas, nos bons dias, nos obrigados. Nossa, como são importantes as gentilezas!

O amor está na brisa do fim da tarde de verão, naquele cheirinho de terra molhada depois da chuva. O amor está numa mãe amamentando seu filho, no cachorro de rua que vem, feliz, pedir um pouquinho de atenção, de carinho, de empatia. Está nas pessoas que fazem o bem a quem não pode oferecer nada em troca. O amor está no nascer e no pôr do sol. Numa cerveja com os amigos, num bom vinho numa noite fria, num abraço, num elogio sincero. Está em quem tenta, todos os dias, mudar o mundo.

Nesta carta, quero que tu te recordes que o amor é grandioso nas coisas mais simples. E é com cada pequena atitude, feita com ele, que o mundo se transforma. Quero, através desse pedaço de papel, te parabenizar por tudo que tu fizeste este ano e desejar que, no próximo, tu sejas ainda mais forte e alegre para lutar contra as adversidades que virão. Porque elas sempre vêm.

Quero dizer que haverá dias em que nada fará sentido e que parecerá que não há mais sentimentos bons no mundo, dentro dos outros, dentro de ti. Esses dias passarão, assim como dias maravilhosos também passarão, como passaremos todos, diante do tempo, enquanto ele permanece. Tudo passa e, dentro desse espaço que nos cabe, espero que sejamos, todos, muito mais coração do que dor.

Minha última carta de amor, nesse ano, vai pra ti. Espero que gostes. Apesar de toda a dificuldade, serão novos 365 dias para enchermos as mais diversas pequenas coisas com o que dá sentido à vida. Será um ano em que precisaremos, muito, viver e escrever amor. Então, viveremos e escreveremos arduamente sobre ele e sobre suas lindas consequências no mundo. Estamos juntos.
Feliz 2019.

Ana Clara Stiehl
Cronista

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