Esqueçamos o Britto governador, que esse foi e sempre será polêmico e contraditório. Mas é forçoso reconhecer que, para quem não sabe, Antônio Britto foi um baita repórter, além de ter seu nome na história como o porta-voz da morte do Tancredo. Britto, que é também um excelente frasista, disse em entrevista ao Bial, na semana passada, que uma das questões importantes para o Brasil é conversar mais, uma vez que hoje todo mundo pensa que é dono da razão e sai gritando nos palanques, sobretudo os virtuais.
Não sei quando a entrevista foi gravada (normalmente há uma boa antecedência), entretanto, pelo menos dois episódios recentes comprovam que, neste caso, o diagnóstico foi preciso. Em um país que odeia política, a política, vejam só, tem movido paixões extremadas. E se o tom é de gritaria para defender o seu lado, chegamos ao ponto de levar tudo à ponta de faca, literalmente. A mesma faca que atingiu um candidato à Presidência corta toda uma construção de um ambiente democrático que recomeçou lá naquele período em que o Britto, ele mesmo, narrava de dentro de um hospital o que seriam os próximos passos da nação. A faca, a loucura, o desequilíbrio e a gênese criminosa não têm lado nem ideologia. Podem ser de esquerda ou direita.
Odiamos a política, amamos o futebol. E seguindo os tempos belicosos, o Grenal ainda não acabou. Representantes de milhões de torcedores inflamam seus exércitos ao invés de um recuo. A claque aplaude e espera pelos próximos capítulos. Nada de arrefecimento, a temperatura sobe. E o que deveria ser esporte vira batalha. Jogadores que na vida íntima convivem em harmonia, publicamente verbalizam xingamentos para atrair cliques e likes. Sem medir consequências fora das telas.
“Não importa quem começou a briga, interessa quem vai terminar com ela”, ensina o dito popular. Não é preciso ser ofensivo para falar sobre rivalidade no gramado. Discutir política pode ser um aprendizado mútuo, em que opostos dão um passo em direção ao outro e se tornam mais completos e tolerantes. Chega de sinal de arminha e provocações pueris. Vamos conversar mais e gritar menos. O Grenal terminou.A eleição está próxima. Mais torcida mista, no estádio, na rua, na vida da gente.

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