O momento atual da política brasileira produz um fenômeno interessante. Creio que nunca antes na história da República falou-se tanto sobre o trabalho e a atuação do Supremo Tribunal Federal. Da mesma forma, talvez não fosse exagerado dizer que os 11 ministros da Suprema Corte cada vez mais se transformam em figuras públicas conhecidas dos homens comuns. Viram notícia, celebridade. Pelo bem e pelo mal.
Uma das razões é a operação Lava Jato e a prerrogativa de autorizar investigações contra detentores de mandatos, com o chamado Foro Privilegiado, que evidenciou o STF e as mais diversas decisões ao longo dos últimos 10 anos. A exposição midiática, ampliada com as redes sociais, contextualizada pela esperança de milhões de brasileiros em um efetivo combate à corrupção, inclusive com grandes figurões na cadeia, trouxe luz a nomes antes quase desconhecidos do brasileiro médio, que acostumou-se, aos poucos, a ouvir sobre Toffoli, Mendes, Fuchs e colegas.
O outro motivo é a inoperância do Congresso Nacional, que deveria criar e fiscalizar o processo legislativo, ou seja, a produção das leis no país. Como sabemos, os 513 deputados (ISSO, QUINHENTOS E TREZE MESMO) acabam por inúmeras vezes ocupando-se em demasia com negociações por liberação de emendas, indicações de cargos, ou simplesmente salvando a própria pele. E aí, quem deveria salvaguardar a Constituição em última instância, vai ocupando um espaço de protagonismo em sentenças que criam jurisprudência e reformam o entendimento sobre costumes e leis ultrapassadas ou com alguma brecha de interpretação.
Já passou da hora de entendermos a importância dos deputados e senadores na condução da política brasileira. Por analogia, o mesmo vale para as assembleias estaduais e câmaras de vereadores. Contudo, a cada pleito, a corrida aos cargos executivos concentra a atenção dos eleitores com quase exclusividade, nos municípios e no país, e as pesquisas confirmam que pouco tempo depois o eleitor nem lembra em quem votou para deputado. Não há problema em si no fato dos ministros da Suprema Corte tornarem-se pop. O incômodo se dá por questões sistêmicas e pela não compreensão das funções de cada poder. Ah, claro, pelas atuações questionáveis de alguns, também.

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