Eu não sei quais foram os resultados da eleição de ontem, uma vez que este texto foi entregue antes do domingo. Não sei se teremos segundo turno lá ou aqui, quem foram os senadores eleitos e a performance dos candidatos locais ao legislativo. Não sei se tivemos abstenção recorde, ou aumento no índice de votos brancos e nulos. Se as urnas eletrônicas funcionaram, se houve quem denunciasse fraude, inconformado com a derrota. Mas algumas coisas eu já sei mesmo sem saber essas respostas.
Essas eleições desnudaram de vez nosso comportamento social ou nosso “anti-comportamento”. Famílias brigaram, amizades foram desfeitas, ofensas foram distribuídas para todo o lado. As redes sociais se transformaram em campo de batalha. E o teclado virou arma. Se discutir política virou um problema, conclui-se que a negação da política é uma radiografia da nossa intolerância e incapacidade de construir consensos mínimos. Fomos para lados opostos. Nos distanciamos uns dos outros.Isolados em ilhas, conforme afinidades e preferências, partidárias, sexuais, esportivas ou religiosas.
Fomos desafiados a responder “que Brasil queríamos” e deu tudo errado. O Brasil que sai das unas é recheado de medos, preconceito, discriminação, retrocessos e incertezas. Sem saber quem ganhou, sei quem perdeu. E a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco. Seja quem for o Presidente, ele governará para uma nação que não se preocupa com as minorias, que dá de ombros para os mais fracos, que ignora sua história e seu passado.
Qual será a política para a retomada do crescimento e geração de empregos? Como revolucionar a educação e construir bases para que as novas gerações tenham mais conhecimento? O que será feito para ampliar o acesso à saúde pública e acabar com as cenas de pessoas jogadas no chão em corredores de hospitais? Há previsão de solução a curto prazo para o caos do sistema carcerário? Chegamos ao final da corrida sem estas respostas. Até porque não foram estas as perguntas feitas. Quem grita não quer ouvir. Na era da pós verdade, cada um tem a sua. A partir das suas crenças. E que se danem os outros.

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