Já escrevi muitas vezes que a corrupção não é exclusiva aos políticos, o que na verdade é uma absoluta obviedade. Nos últimos meses, isso ficou muito mais claro. As vísceras do que o economista Marcelo Portugal chama de “capitalismo de compadrio” estão sendo expostas e, apesar da náusea que nos causam, podem ser um passo importante para o começo de novos tempos. No país onde muito já se disse que só eram presos prostitutas, pretos e pobres, ver atrás das grades alguns dos maiores empresários e figuras políticas do país, é sim um sinal de novos tempos.

É bonito ser honesto. Todos se dizem honestos. Observem as reações dos políticos citados e investigados por algum desvio de conduta no Brasil. Mesmo refutando as generalizações, neste caso há um discurso de defesa comum a todos, culpados ou inocentes. Todos reagem com indignação, esperam colaborar com as investigações e são os maiores interessados para que tudo seja esclarecido.

Em outros países também há corrupção, é claro. Mas a diferença que percebo é justamente a vergonha na cara. Nos Estados Unidos, por motivos muito menores que aqueles que viram capa de revista por aqui, é comum os acusados admitirem pelo menos parte da culpa. Fazem isso por teren a certeza da punição. Na Coréia do Sul, a presidente do país foi deposta seis meses após denúncias de trocas de favores com grandes empresas como Samsung e LG.

No Japão, a vergonha já levou lideranças importantes ao suicídio, em nome da honra.

Dentro de campo, na semana passada, um jogador do São Paulo chamou o árbitro e avisou que era ele quem deveria tomar o cartão amarelo, equivocadamente dado a um jogador da outra equipe. Após o jogo, um companheiro do mesmo time o repreendeu, dizendo: “prefiro a mãe do meu adversário em casa chorando do que a minha”.

Rodrigo Caio foi aplaudido por quem viu o lance de fora, e repreendido pelo técnico Rogério Ceni, dirigentes e demais jogadores do clube.

Honestidade é igual pimenta, colírio nos olhos dos outros. Talvez Rodrigo não tenha mais clima para continuar no time. Possivelmente o grupo não o aceite. Honestidade tem limite. Já dizia o Capitão Nascimento, “o sistema te engole”. E não seria no país do futebol, que dentro das quatro linhas as coisas ocorreriam de forma tão diferente do que se passa fora delas.

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