Todos nós somos fãs de alguém. Pessoas ou entidades, conhecidas ou anônimas, que por alguma razão se tornam admiradas. Nosso ídolos costumam mudar conforme as fases da vida. Na infância, adulamos jogadores de futebol, artistas, personagens imaginados, além de referências próximas, como pais, avós, professores. Na adolescência, ídolos do Rock (ao menos no meu tempo, claro), líderes que de alguma forma desafiaram as regras, pessoas que do seu jeito contestaram o sistema, etc. E, na fase adulta, personalidades carismáticas de luta pela paz, grandes inventores, aglutinadores, por aí vai. Nesta fase, aliás, é muito comum repensarmos idolatrias de outrora. E agora somos ídolos de nossos filhos e fãs dos mesmos, desde a primeira respiração.
Ser fanático é outra coisa, bem diferente. O fanático começa e termina na intolerância, no desrespeito aos diferentes, na sensação de superioridade moral. Só enxerga a si e aos parecidos, só ouve quem se assemelha ao seu discurso e só fala para sua tribo. O fanático perde a capacidade de discernimento, de análise, abandona qualquer esboço de racionalidade. Chega ao ponto extremo de não perceber que ele é absolutamente igual a outros fanáticos de grupos opostos, justamente os que mais lhe causam repulsa. É quando ele vira exatamente o que ele não queria ser. O fanático não aceita ser contrariado.
Há fanáticos de toda ordem. Fanáticos pela pessoa amada, sentindo-se donos como se tivessem um objeto de consumo. Fanáticos pelo time que torcem, colocando instituições clubísticas acima de qualquer razão para viver. Fanáticos religiosos que, em defesa da vida, chegam a matar “em nome de Deus”. E tem crescido muito ultimamente no país a categoria dos fanáticos políticos. Que trocam argumentos por xingamentos, diálogo por grito, conciliação por atrito. O amor pelo ódio.
Interessante que o fanático não se reconhece, mas não é que ele não enxergue o fanatismo. Ele apenas pensa que está nos outros. Terceiriza os sintomas. O fanático não vai a lugar algum, não cresce, não muda, não evolui. Atrapalha quem está perto. O fanático se porta como exagerado, radiante, mas vive enclausurado na sua própria tristeza. O fanático é um desolado, um perdedor. Um fracassado.

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