Esta semana, vi uma reportagem em uma grande rede de televisão estadual que destacava uma conversa animada com estudantes do CIEP Ivo Bühler, aqui de Montenegro. Falaram sobre a localidade onde moram, as dificuldades da rede pública de ensino, os computadores obsoletos, a rede de internet lenta e, consequentemente, obstáculos para a pesquisa. Entretanto, a resposta mais curiosa foi sobre o que gostam na nossa cidade. Em primeiro lugar, as universidades, destacando que o município possui cursos nas áreas das Artes. Em segundo, o cinema, com preço acessível.
“Em uma cidade do interior, é difícil ver um cinema e ainda melhor que a gente consegue pagar”, disse um dos meninos entrevistados. E ele está coberto de razão. Que coisa maravilhosa ouvir isso daquele garoto. Porque o cinema de fato está restrito aos grandes centros urbanos, quase sempre em shoppings. Somos, portanto, exceção. E não foi fácil. Lembro de movimentos para que voltássemos a ter a exibição de filmes, após um hiato que nos obrigava ao deslocamento para cidades maiores. Depois, outro período de troca de gestão.
Enfim, hoje temos cinema e que cinema. Boas instalações, áudio, vídeo, tudo muito bom. Para ser melhor, poderia ter maior acessibilidade, só que aí é um problema de um prédio antigo, de um tempo em que não se pensava nisso. Fazer o quê. Além da estrutura excelente, preço razoável. Isso é que é inclusão. Claro, nem todos, infelizmente, podem pagar por um ingresso. Porém, na comparação com os cinemas da capital, o valor é menor e ainda há dias com promoções em que a entrada fica pela metade do preço.
A oferta de vagas no ensino superior é outra grande conquista da cidade. Lamentamos a perda da Unisinos, depois teve a decepção com o campus da UCS se instalando entre os vizinhos caienses e ficamos órfãos de universidades. O tempo, contudo, nos trouxe a Uergs, a Unisc e ainda diversos outros polos de ensino à distância. O reflexo disso é a formação de pessoas muito mais preparadas e qualificadas. Ademais, são indicadores importantes quando um investidor busca dados sobre onde instalar novos negócios.
O que me deixou contente foi essa percepção da garotada de duas coisas realmente boas que temos aqui. Porque a educação e a arte libertam, elevam, transformam. Ter universidades e um cinema não fazem, por si só, milagre algum. Mas é alvissareiro notar este pertencimento de quem reconhece coisas importantes na cidade das artes, do tanino, dos citros, ou sei lá mais do quê.

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