Todos os dias, têm morrido centenas de pessoas no Brasil em função de uma pandemia. Alguns dias, mais de mil. Enquanto escrevo, já enterramos (por vezes em covas improvisadas, quase anônimas) quase 24 mil pessoas. São quase 100 BOATES KISS. Isso entre os números oficiais, pois há a subnotificação. Neste cenário desafiador, o que esperamos de um Governo? As respostas são variadas, entretanto fica fácil e triste perceber o que não temos.

Porque este país conseguiu colocar a política partidária da forma mais nojenta e repulsiva à frente de vidas. Não temos sequer (escrevo este texto no dia 26.05) um MINISTRO DA SAÚDE, pela simples razão de que, em três meses, o primeiro a enfrentar o Covid foi demitido por vaidade, em uma das poucas áreas elogiadas até então. O segundo não durou um mês, porque, médico, negou-se a discutir com um político com formação no Exército sobre o uso indiscriminado de um medicamento que suscita controversos debates na comunidade científica.

E se liderança se dá por exemplo, o que os mais ignorantes e excluídos desta nação podem pensar ao ver um presidente que navega na contramão da ciência e do bem senso? Que desfila sem máscara, que toca nas pessoas de propósito, que se nega a mostrar que não havia sido infectado, que transforma uma doença séria em gripezinha e que reage à morte com indiferença.

Cada dia, é um novo deboche, com um novo alvo. Uma piada, um escárnio. O exército virtual replica a falta de decoro, seguindo o chefe. E qualquer crítica é taxada de coisa de “viado e comunista”. Que se danem os palavrões, o que o vídeo de uma reunião ministerial desnudou é que, entre as preocupações do núcleo governista, a vida dos brasileiros não está na pauta. O que importa é salvar a pele. Dos filhos, dos próximos. E assim seguimos, anestesiados, imóveis e passivos. Sem reação. Sem cair uma lágrima. E sem rir, porque debochar dos mais desvalidos é crueldade para poucos. Que pelo voto da maioria, chegaram legitimamente ao poder. O que diz muito sobre quem está no palco. E, ainda mais, sobre a plateia.

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