Alguma coisa precisa ser feita na previdência do Brasil. Em que pesem teorias contrárias, mais do que um debate, parece claro que o Estado não vai mais conseguir honrar seus compromissos básicos se continuarmos omissos com distorções existentes e fingindo que está tudo bem. Mas a pauta recai sobre os meninos maluquinhos do Presidente, que publicam quando o melhor seria silenciar, zombam do vice e insistem em temas de menor importância para a agenda do país.
Não é possível manter tantos privilégios na aposentadoria de deputados que, na prática, a cada ano “trabalhado”, aumentam em cerca de R$ 1 mil a renda mensal quando se aposentam. Entretanto, focamos nas declarações excêntricas da ministra Damares, separando os gêneros por cores, colocando Deus acima de tudo e a religião acima de todos. E o ministro da Educação cai e sai de cena sem nenhum projeto claro de melhoria no ensino no país, preocupado com o hino gravado entre os alunos e as universidades que não deveriam ser para todos.
Fundamental em reformar a previdência é garantir que os mais afortunados contribuam mais, penalizando menos os já desfavorecidos. Aí, o Presidente concentra a atenção em um vídeo mostrando uma pessoa urinando em outra. Uma deputada federal acusa o ministro do Turismo, do mesmo partido, de tentar matá-la. O guru, lá dos esteites, abre a caixa de ferramentas contra os militares, incitando o enfrentamento ao comunismo e a influência do Foro de São Paulo.
Enquanto não tiver foco, os temas realmente importantes ao país acabam relegados a um segundo plano. Não se trata de ser a favor ou contra reformas, mas, sim, de discutir o que de fato é decisivo para a construção de um país mais próspero e menos desigual. Pouco adianta falar em rede nacional após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, se no dia seguinte o Presidente reverbera aos quatro cantos que o Brasil não pode virar um país gay. Política requer construção e diálogo permanentes, definindo prioridades. É assim que Eduardo Leite conseguiu aprovar a PEC que permite privatizações de estatais sem plebiscito. É assim que Bolsonaro se atrapalha na tentativa de convencer a nação a aceitar medidas impopulares.

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