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“Merlí” está na Netflix para provar que a Filosofia é um direito de todos

Em 1971, durante a ditadura militar no Brasil, o ensino de Filosofia e Sociologia foi substituído por uma matéria chamada “Moral e Cívica” no currículo escolar. A troca foi uma forma a minimizar os questionamentos ao regime autoritário que o País vivia. Após quase 40 anos, já em um governo democrático, o Conselho Nacional de Educação entendeu que as escolas brasileiras careciam muito de uma dimensão crítica e, portanto, concederam a essas disciplinas o caráter de obrigatórias durante o Ensino Médio. No entanto, até hoje perdura a noção errônea de que Filosofia e Sociologia são matérias descartáveis, devido à gradual desvalorização dos profissionais da área de Ciências Sociais. Dessa forma, fomentar o interesse dos alunos pela área se tornou um verdadeiro desafio, prontamente aceito por professores como o fictício Merlí Bergeron (Francesc Orella), de “Merlí”.

A série acompanha a história de um professor pouco convencional de Filosofia que, separado e desapropriado da própria casa, passa a morar com a mãe enquanto cuida de Bruno (David Solans), seu filho adolescente. A situação para o garoto não parecia poder piorar, mas quando seu pai é chamado para lecionar em sua classe, o relacionamento dos dois é constantemente posto à prova. Apesar do inicial desconforto da turma, a didática pouco ortodoxa de Merlí, que acredita que o ensino não deve ser limitado à sala de aula ou aos livros didáticos, rapidamente conquista os alunos, que o transformam em um verdadeiro confidente. Dessa forma, a Filosofia é desmistificada, pois essa ciência grega não deve pertencer somente aos eruditos, mas sim a todos que buscam pensar.

A produção é originalmente do canal catalão TV3, mas teve seus direitos de distribuição para América Latina e os Estados Unidos comprados pela Netflix. Com isso, todas as três temporadas sobre este professor pouco ortodoxo estão disponíveis por completo na plataforma e são dignos de maratona.

Realidade alternativa
A nova produção da Netflix, “Se eu não tivesse te conhecido”, acompanha um homem em busca de um destino melhor para sua amada em universos paralelos

A possibilidade da existência de outros universos, onde os fatos históricos aconteceram de uma forma diferente, sempre intrigou a humanidade. Seja por artefatos de origem desconhecida descobertos por especialistas ou por teorias da física quântica, diversas são as ferramentas de estudo encontradas pelos interessados para se aprofundarem no assunto. A nova produção da Netflix, “Se eu não tivesse te conhecido” também gira em torno dessa temática. Eduard (Pablo Derqui) é um empresário de meia idade casado com o amor de sua vida: Elisa (Andrea Ros). Juntos, o casal tem dois filhos e vivem felizes, até que um acidente destrói tudo. Por não querer emprestar seu carro para sua esposa, que havia lhe contado que o seu veículo estava com problemas, Eduard acaba causando, indiretamente, a morte de sua família em um acidente de trânsito. Desolado, o homem não vê mais sentido em viver sem aqueles que mais ama e entra em um estado de tristeza tão profundo que nem seus melhores amigos conseguem tirá-lo.

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Com o surgimento de uma misteriosa senhora de idade (Mercedes Sampietro), tudo muda. Ao se aproximar de Eduard, explica que precisa de alguém para testar sua nova invenção: uma máquina que permite transitar em as diferentes realidades paralelas. Imediatamente, Eduard vê uma oportunidade de mudar os acontecimentos para que, pelo menos em algum mundo, Elisa não sofra tanto, mesmo que isso signifique nunca o conhecer. A série é um drama romântico com uma pitada de ficção científica inspirada na ideia original do famoso dramaturgo catalão Sergi Belbel, que também assina como roteirista ao lado de Cristina Clemente e Roc Esquius. Sua primeira temporada conta com 10 episódios de aproximadamente 50 minutos cada e estreia na Netflix no dia 15 de março.

Nos embalos do babysitting
“Se Joga, Charlie” chega à Netflix para contar, de forma cômica, sobre uma história de superação na música

Não é fácil estourar no mundo da música. Para cada artista de sucesso, existem milhares de outras pessoas talentosas esperando serem descobertas. E a indústria cinematográfica não cansa de se aproveitar dessas histórias para diversos filmes, muitos inclusive baseados em fatos reais. Dessa forma, já era de se esperar que a Netflix lançasse algumas produções com essa temática. Nesse contexto, chega “Se Joga, Charlie”, uma comédia original da plataforma com estreia marcada para o dia 15 de março.

A primeira temporada da série conta, em oito episódios, sobre a vida de Charlie (Idris Elba), um DJ fracassado que busca incessantemente por uma oportunidade de recuperar seus dias de glória na indústria musical. Até que surge uma oportunidade nada convencional. Sara, uma DJ conceituada, está noiva de um amigo de Charlie, e precisa desesperadamente de uma babá para sua filha de 11 anos, Gabby.

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Inicialmente revoltado com a proposta, o protagonista vê uma oportunidade de fazer parte do círculo mais íntimo da música eletrônica, e, quem sabe, até conseguir a tão sonhada segunda chance nos palcos. Mas, para se inserir nesse meio, é fundamental que ele consiga sobreviver a Gabby, que tem fama de ser o pesadelo de qualquer babá. O caminho não será fácil, mas Charlie não perde o foco em seus objetivos por nada.

“Se Joga, Charlie” poderia muito bem ser uma comédia resumida em um filme de umas duas horas, mas a decisão de usar o formato de série permite aos roteiristas mais liberdade para trabalhar melhor os personagens e as piadas. No total, a primeira temporada dura quatro horas, valor ideal para uma maratona rápida. A combinação de comédia leve com um elenco conceituado dá à produção quase que uma obrigação de ser vista toda em um dia.

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