O país fica, os políticos passam. O país lhe acolhe, os políticos você paga.
Não se deve poluir esse sentimento, amor é para pessoas não para figuras. Você ama o porteiro? Você ama o jardineiro? O seu contabilista? O gerente do seu banco? Não ame o político.
Admirar um bom trabalho não é amar, detestar um mau atendimento não é odiar. Você pode elogiar a performance, reconhecer a honestidade, apontar as falhas, criticar, discordar. Você pode ser duro nas réplicas, cobrar, você tem que respeitar, mas não deve amar.
Quando você dá amor a um político, ele se torna menos político, ele se torna outra coisa, uma coisa detestável. Um pai dos pobres, uma mãe da nação, um salvador, messias. Você vai brigar por ele e ser infame justamente com as pessoas que deveria amar: os seus companheiros de realidade.
O eleito será assediado, enganado, absorvido pelo sistema, terá um séquito digno de monarca. E ele terá o poder que embriaga, infla, distorce. No momento que alguém ganha poder, essa pessoa é transformada, ela precisará usá-lo, ela quererá deixar sua marca, fazer tudo diferente, desejará ser um dia uma estátua, um busto, um herói, um capítulo na história.
E aí você lhe entrega o seu amor incondicional. É demais para um humano. O ego não aguenta ser assim provocado, ele vai estuprar a humildade, o bom senso, a objetividade. O ego é um tarado.
O político no qual votamos sempre será idealizado, jamais será aquela pessoa que fomos levados a imaginar. O meio, as circunstâncias, a vaidade, o desejo de mais poder e as incompetências escondidas no palanque irão entrar no jogo real. Qualquer político, em alguma medida, irá nos decepcionar. Irá também nos surpreender e agradar, mas como nossas expectativas são sempre infladas na hora do voto, infladas também serão as decepções.
Quando você ama um político, sujeita-se ao ridículo. Defende o indefensável, justifica barbaridades, cai em contradições, faz papel de cúmplice, perde a capacidade argumentativa, se torna tudo que detesta nos outros. Você pode argumentar que o amor também educa. Mas não este. Este é muito desproporcional.
O caminho mais comum para amar um político é por ódio a outro. Amor e ódio sempre se complementam e prosperam no quintal das fraquezas humanas. E quando você dá tanta dedicação e energia ao político, o que sobra para o país? Este que você diz que ama, que suja as ruas, que desrespeita as leis, que mija nos cantos, que trata como seu tabuleiro de oportunidades a qualquer custo.
Amar um político é, sobretudo, amar a fantasia que se tem dele. É sonhar ser ele, é adorar ver os seus adversários sofrendo, engolindo discursos, como você já engoliu. Amar um político é se imaginar na cama do poder fazendo um sexo nacional com as partes pudendas dele.

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