O Dr. Burrhus Frederic Skinner, apesar do primeiro nome, foi um homem muito inteligente. Contribuiu com conceitos importantes para a psicologia, como o Comportamento Operante, que descreve a nossa conduta em resposta a estímulos positivos e negativos. O Dr Skinner não acreditava no livre arbítrio, observava que cada ação humana dependente das consequências de ações anteriores. Consequências ruins: tendência a não repetir; consequências boas: probabilidade de repetição.
O Dr Skinner tinha pombos. Gostava deles, era fascinante observar as aves que já nascem com GPS embutido. Seria interessante estudá-las isoladas em caixas e respondendo a estímulos.
Lá nos anos 1970, o Dr. B.F. criou a “caixa de privação sensorial” para pombos. Uma caixa vazia, com um botão dentro. Quando o pombo pressionava o botão, uma pequena tampa soltava uma quantidade de grãos para ele comer. Rapidamente os pombos aprenderam: aperte o botão, ganhe o grão, e repetiam o processo várias vezes ao dia. Então o Dr. Burrhus teve uma ideia: e se tirássemos o botão e os grãos fossem soltos de maneira aleatória?
Os resultados foram surpreendentes.
O esperado era que os pombos ficassem apáticos, esperando o alimento, mas 3/4 das aves começaram a agir de maneira estranha. Alguns batiam asas, outros perseguiram seus próprios rabos, um terceiro grupo começou a girar dentro da caixa no sentido antihorário. Um Dr. burro concluiria que pombos, diante da aleatoriedade, ficam loucos, mas não o Dr. Burrhus.
Ao observar um pombo em particular, o Dr. Skinner constatou que quando os grãos foram soltos nas primeiras vezes, por acaso, o bicho batia as asas. Imediatamente o pombo associou a ação de bater asas com a chegada dos grãos, e começou a repetir o comportamento.
Mesmo se demorava, os grãos eram sempre liberados, o que aumentou a convicção do pombo de que era assim que ele deveria se comportar para ganhar o prêmio. Ele continuou, sem parar, a bater suas asas. Enquanto isto, numa caixa em frente, outro pombo “pensou” exatamente da mesma maneira, só que se convenceu de que girar em torno de si, e não bater asas, era a atitude que liberava a comida. Nasciam as escolas filosóficas dos pombos, os rufladores, os rotadores, os saltadores, os sacudidores de cabeças… cada um com sua experiência empírica para explicar o mesmo fenômeno. Se se tornassem super inteligentes e dominassem o mundo, provavelmente estariam se matando por suas verdades.
Podemos pensar “bichos idiotas”, mas o Dr. Skinner viu aí um típico comportamento humano, a superstição. Usar a mesma caneta para fazer provas importantes, usar a mesma peça de roupa em ocasiões que se espera bom resultado, fazer sinais, carregar amuletos, recitar uma sequência de palavras mágicas. É certo que essas práticas ajudam a alcançar a serenidade necessária para enfrentar situações difíceis, pedir ajuda ao acaso e aplacar angústias. Exatamente como pombos.

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