Uma das premissas básicas do cristianismo é o amor ao próximo. Aí desenha-se o problema, pois o mundo está povoado de próximos cujo ato de amar o outro exige esforço digno da cruz. Como bons humanos idealizados, não deveríamos, a cada ato, pensar no próximo?
O papel higiênico, por exemplo. Se ele se acabou na sua bunda, coloque outro no lugar. Pense na bunda do próximo. Faça seu papel de bom cristão.
Como se já não bastasse a ruidosa existência das igrejas do deus com problemas auditivos, tenho percebido o aumento dos adeptos da cristandade espaçosa. O carro adesivado com “Deus me deu” ocupando lugar de dois no estacionamento, só pode significar que também um espírito santo está acomodado nas vagas. E o motorista que vive trocando de pista e não usa seta deve ser daqueles guiados pelo deus que escreve por linhas tortas. Tem o fiel que sai da vaga especial para cadeirantes caminhando perfeitamente. É a evidência do milagre recém acontecido.
Ninguém quer fazer a lição de casa, mas todos esperam que Cristo volte para arrumar essa bagunça. Ele já deve ter voltado, mas não tinha estacionamento, nem papel no banheiro, então resolveu voltar da volta.
O mais interessante no entanto, é o irmão em fúria. O cristão raivoso que quer a ditadura consagrada, apoia a divina tortura, é adepto do chute no sacro das outras religiões.  Ele não tem fé, tem fel. Quando prega é com martelo, quer que todos sejam taxados, reverentes, à ele, e Deus, em cima de todos. Ojeriza nas alturas!
Destes, há os que se dedicam ao sacrossanto ofício de serem fiscais de bundas alheias, e não estou falando do bom cristão que repõe o papel higiênico no banheiro. Nesse caso, o furo é mais profundo, esses fiscais querem definir como, com quem e com que partes corpóreas devem, os outros, empreender seus coitos.
Inspirados em passagens bíblicas destacadas à marca texto verde limão, bradam versículos com interpretações diversas sobre o que é e que não é de Deus, o que Ele permite e o que Ele condena. O que seria do pobre Deus sem estes bravos coléricos defensores?
Com tudo isso, oremos, aos berros, com sangue de Cristo nos olhos. Alcançaremos a glória e a paz, nem que seja na porrada!

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